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Novo estudo confirma relação entre a vacinação de covid-19 e a duração do ciclo menstrual

No mês diretamente após a vacinação, em média, os investigadores descobriram que o ciclo menstrual das pessoas vacinadas foi quase um dia mais longo do que o das que optaram por não se vacinar

Dado Ruvic/Reuters

Um novo estudo publicado na passada terça-feira, dia 27, confirmou que existe uma relação entre a vacinação de covid-19 e a duração do ciclo menstrual. No mês diretamente após a vacinação, em média, os investigadores descobriram que o ciclo das pessoas vacinadas foi quase um dia mais longo do que o das que optaram por não se vacinar. No ciclo seguinte, na esmagadora maioria dos casos, a duração reverte para níveis normais, disseram ainda os cientistas.

A primeira dose da vacina correspondeu a um aumento de 0,71 dias e a segunda dose a um de 0,57 dias. O estudo nota também que a relação acima descrita é transversal a todas as vacinas disponíveis no mercado, incluindo as da Pfizer-BioNTech, Moderna, AstraZeneca, Covishield, Janssen/Johnson & Johnson e Sputnik. E é ainda referido que as participantes que tomaram duas vacinas durante o mesmo ciclo menstrual experienciaram alterações mais significativas, neste caso uma média de 4 dias adicionais.

Alison Edelman, professora na Universidade de Ciência e Tecnologia de Oregon, nos EUA, uma das líderes desta investigação, assume que não sabe a razão exata que justifica este fenómeno, mas aponta para a ligação entre os sistemas imune e reprodutivo como uma possibilidade. Uma inflamação ou reação imune intensa pode alterar os ciclos menstruais, disse ao diário norte-americano “The Washington Post”, facto que poderá em parte justificar esta ligação.

O estudo contou com a presença de quase 20 mil pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos, maioritariamente residentes nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Entre 2 de outubro de 2020 e 7 de novembro de 2021, os dados relativos a cada participante foram recolhidos na aplicação Natural Cycles, utilizada para acompanhar a duração de ciclos menstruais e controlar a fertilidade. Uma das opções dadas aos utilizadores é precisamente a de poderem consentir o uso dos seus dados para fins de investigação, um sistema que permitiu a Edelman e aos seus colegas reunir a informação em que baseiam as suas conclusões.

Os investigadores analisaram dados relativos a quatro meses consecutivos. No caso das pessoas vacinadas (14.936), os três meses diretamente anteriores à vacinação e o primeiro após a mesma; no caso das não vacinadas (4686), os quatro meses que correspondem ao mesmo período temporal. Assim, conseguiram contrastar os valores do último mês dos dois grupos, utilizando os três meses anteriores como uma base de comparação.

Citada pelo jornal “The Washington Post”, Edelman afirmou: “agora podemos dar às pessoas informações sobre o que esperar dos ciclos menstruais”, o que considera uma das principais ventagens do estudo. “Por isso, espero que isso seja realmente tranquilizador para os indivíduos”, vincou.

No entanto, também identificou algumas limitações: a amostra de participantes, embora vasta, é limitada em termos da idade e não incluí muitas pessoas com índices de massa corporal acima do considerado normal. Além disto, não foi possível controlar para infeções contraídas devido a covid-19, e os seus potenciais efeitos nos ciclos menstruais, e também não foram incluídas neste estudo pessoas que utilizam métodos hormonais de contraceção.

Texto de José Gonçalves Neves, editado por Cristina Pombo

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