Primeira-ministra dos Barbados, Mia Mottley
Já na COP26 a primeira-ministra dos Barbados (uma ilha das Caraíbas) tinha passado uma mensagem poderosa e com grande sentido de urgência. Este ano não foi diferente. “Nós éramos aqueles cujo sangue, suor e lágrimas financiaram a revolução industrial. Agora vamos enfrentar um duplo risco ao ter de pagar as consequência daqueles gases com efeito de estufa resultantes da revolução industrial? Isso é fundamentalmente injusto”.
Mia Mottley pediu uma abordagem diferente para ajudar “os países que sofrem com a catástrofe” e que são simultaneamente quem tem menos responsabilidade histórica nas alterações climáticas. Se isso não acontecer, “vamos assistir a um aumento do número de refugiados climáticos. Sabemos que até 2050, os 21 milhões de refugiados climáticos do mundo de hoje tornar-se-ão mil milhões”, alertou.
Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres
“Estamos numa autoestrada para o inferno climático com o pé no acelerador”. O discurso inaugural de Guterres na segunda-feira foi um banho de realidade. “Estamos na luta das nossas vidas e estamos a perder. As emissões de gases com efeito de estufa continuam a crescer. As temperaturas globais continuam a aumentar. E o nosso planeta aproxima-se rapidamente de pontos de rutura que tornarão o caos climático irreversível”, alertou.
“A humanidade tem uma escolha: cooperar ou perecer” e para evitar a última opção, o secretário-geral das Nações Unidas propôs um pacto “em que todos os países façam um esforço extra para reduzir as emissões nesta década, de acordo com o objetivo dos 1,5ºC”. “É um Pacto de Solidariedade Climática, ou um Pacto Coletivo de Suicídio”, advertiu.