Internacional

Jornalistas portugueses impedidos de fotografar e registar declarações do encontro entre Pompeo e Netanyahu

Mike Pompeo e Benjamin Netanyahu no encontro em Lisboa
PATRICIA DE MELO MOREIRA/POOL/AFP/Getty Images

Um porta-voz da embaixada dos EUA em Lisboa informou que as fotografias do encontro entre o Secretário de Estado e o primeiro-ministro israelita e a posterior conferência de imprensa estavam vedadas aos jornalistas portugueses, sem apresentar uma razão para o impedimento. Netanyahu encontra-se esta quinta-feira com o seu homólogo António Costa

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, reuniram-se esta quarta-feira em Lisboa. No entanto, os jornalistas portugueses foram impedidos de fotografar o encontro e registar declarações. Netanyahu encontra-se esta quinta-feira com o seu homólogo português, António Costa.

Pompeo e Netanyahu cruzaram-se e cumprimentaram-se no hall de um hotel do centro de Lisboa às 18:27, seguindo para uma sala próxima onde estavam os jornalistas que acompanharam as viagens de ambos e um conjunto de profissionais designados por meios de comunicação internacionais, descreve a agência Lusa.

O conselheiro de imprensa da embaixada dos EUA na capital portuguesa, Todd Miyahira, informou a Lusa que as fotografias do encontro e uma posterior conferência de imprensa estavam vedadas aos jornalistas portugueses, sem, no entanto, apresentar uma razão para o impedimento.

A informação prestada foi semelhante à obtida pela Lusa junto de uma fonte israelita, que pediu para não ser identificada.

Primeiro encontro desde que EUA deixaram de considerar colonatos “inconsistentes” com direito internacional

À partida de Telavive, Netanyahu declarou: “Vou agora partir para Lisboa onde me encontrarei com o primeiro-ministro português. No entanto, o meu principal objetivo é, em primeiro lugar, encontrar-me com o Secretário de Estado norte-americano.”

A conversa com Pompeo ia centrar-se “principalmente no Irão e [em] duas outras questões: o tratado de defesa com os EUA [a] desenvolver e o futuro reconhecimento norte-americano da anexação por Israel do Vale do Jordão”, a parte oriental da Cisjordânia, adiantou.

O último encontro entre Netanyahu e Pompeo aconteceu em Jerusalém em outubro passado. Este foi o primeiro desde que a Administração norte-americana anunciou, em meados de novembro, que os EUA deixaram de considerar os colonatos israelitas na Cisjordânia “inconsistentes” com o direito internacional. A decisão significou o abandono de uma posição que o Departamento de Estado defendia desde 1978.

Quanto ao encontro com Costa, fonte oficial do Governo português disse que a reunião terá como tema central as relações bilaterais entre Portugal e Israel.

Lei não obriga mas Netanyahu poderá ser pressionado a demitir-se

Netanyahu foi recentemente acusado pelo procurador-geral de Israel em três casos de corrupção e não conseguiu formar Governo, pela segunda vez este ano, na sequência das eleições de setembro. O primeiro-ministro israelita terá tido dificuldades em agendar encontros com alguns dos principais líderes europeus, escreveu o jornal “The Jerusalem Post”.

O anúncio das acusações de corrupção contra o primeiro-ministro provocou ondas de choque no seu partido, o Likud. Trata-se do primeiro desafio sério à liderança de Netanyahu desde que o então líder, Ariel Sharon, abandonou o partido em 2005 para formar o Kadima, deixando-o aos comandos. Esta é também a primeira vez na história de Israel que um primeiro-ministro em funções enfrenta acusações criminais.

A decisão de acusar Netanyahu de fraude, suborno e abuso de confiança em três casos de corrupção foi anunciada no mesmo dia em que o Presidente israelita, Reuven Rivlin, encarregou o Parlamento de encontrar um chefe de Governo, após Netanyahu e o seu principal opositor, Benny Gantz, terem falhado nas respetivas tentativas de formar um Executivo na sequência das eleições de 17 de setembro.

A lei não obriga Netanyahu a demitir-se se for acusado mas, há 13 anos no poder, o primeiro-ministro poderá vir a ser pressionado nesse sentido, além de não poder vir a ocupar qualquer outro cargo de Governo ou de Estado.