Projetos Expresso

Informação falsa leva 15% do tempo a chegar a 1500 pessoas

Redes sociais são o veículo mais usado para divulgar notícias falsas e os meios de comunicação social devem ser o garante da veracidade. Conclusões retiradas da conferência ‘Parar para Pensar: Media, informação e fake news’, que decorreu esta tarde, com transmissão direta no Facebook do Expresso.
Marta Atalaya conduziu o debate desta tarde com Luís Mergulhão, Sónia Maximiano, Francisco Teixeira e Bernardo Ferrão
José Fernandes

Fátima Ferrão

Em 2021, o número de pessoas com acesso à internet em todo o mundo cresceu meio milhão, o que significa que o potencial de criadores de conteúdos e de consumidores de informação de boa e má qualidade continua a crescer de forma exponencial. Este fenómeno torna cada vez mais importante saber excluir as fontes de informação falsa e de separar o que é verdadeiro daquilo que pode ser manipulado. “É um enorme desafio para o jornalismo porque todos somos produtores de conteúdos, mas nem todos estes conteúdos vêm de fontes credíveis”, diz Francisco Teixeira. Para o General Manager & Partner da Hill+Knowlton Strategies, “a triagem é um gelo muito fino, até porque o mundo anda mais depressa do que conseguimos acompanhar”.

Esta triagem, ou verificação de factos, deveria, na opinião de Luís Mergulhão, ser o próprio jornalismo que tem esse papel. Mas, admite o Presidente e CEO do Omnicom Media Group, “a falta de tempo e a enorme concorrência dificulta a tarefa de fact checking dos jornalistas”. Mas esta é também a oportunidade, defende, para os Media se posicionarem como entidades que certificam a informação.

Os dois especialistas na área da comunicação participaram esta tarde na conferência ‘Parar para Pensar: Media, informação e fake news’, a última de um ciclo de seis, promovido pelo Expresso com o apoio da Deco Proteste. O painel de debate, conduzido pela jornalista da SIC, Marta Atalaya, contou ainda com a presença de Sandra Maximiano, professora do ISEG, e de Bernardo Ferrão, diretor-adjunto da SIC.

Luís Mergulhão defende que o 'fact checking' devia ser o jornalismo
José Fernandes

Portugueses confiam nos Media

Em Portugal, em caso de dúvida, as pessoas procuram informação nos jornais ou na televisão. A comprová-lo, argumenta Luís Mergulhão, está o aumento das audiências dos canais de informação durante a pandemia, assim como o crescimento do consumo e de partilha de notícias provenientes de órgãos de comunicação considerados credíveis. Este movimento de procura pela informação mais correta não significa que por cá o consumo e a partilha de fake news não aconteça. Mas, acrescenta Bernardo Ferrão, “é preciso manter a pegada de confiança dos meios de comunicação”.

Sandra Maximiano alerta, contudo, para a facilidade com que a informação falsa circula nas redes sociais. “Estes são meios muito fáceis de atrair informação falsa porque as notícias são muito partilhadas e, em algumas plataformas, a utilização de imagens é muito mais intensa, um formato mais atrativo para as pessoas”. A professora exemplifica com dados de um estudo, realizado em 2018, em que no caso do Twitter, a informação falsa tende a chegar 15% mais depressa a 1500 pessoas do que os factos reais. Por isso, um truque para garantir a veracidade é, por exemplo, “desconfiar de notícias que aparecem ou são partilhadas muitas vezes”. Bernardo Ferrão acrescenta: “por vezes basta uma simples pesquisa no Google para perceber que uma notícia é falsa”.

Mais conclusões:

  • Consultar vários media diferentes e procurar o contraditório é uma prática básica de verificação de factos e uma recomendação deixada por Luís Mergulhão.
  • “É preciso apostar na literacia digital para que as pessoas possam aprender a excluir as fontes não fidedignas”, diz Francisco Teixeira.
  • Um problema, que começa nos bancos da escola, “é que não se incentiva o pensamento crítico”, afirma Sandra Maximiano. Isto é muito importante porque nas redes sociais “todos somos suscetíveis a enviesamentos cognitivos e emocionais”.