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Num jardim em Lisboa, Jean Moulin sonhou resistir: 80 anos depois, o combatente antinazi é recordado com homenagens, filmes e uma exposição

Em setembro de 1941, o líder do movimento de resistência francesa à invasão nazi viveu um mês e uma semana em Lisboa. Jean Moulin andou incógnito pela cidade, inundou-se com a luz branca. Partiu num hidroavião rumo à última viagem, que acabaria anos mais tarde em Paris, no Panteão. Regressa agora, pela mão de cinco amigos apaixonados pela ideia do homem comum que ousou dizer não - o ex-ministro da Cultura João Soares, o escritor e editor João Paulo Cotrim, o artista gráfico Jorge Silva, o jornalista José Manuel Saraiva e a escritora Manuela Rêgo

Viveu pouco, mas intensamente e conseguiu o que toca aos eleitos: deixar marcas da sua passagem. Jean Moulin nasceu em 1899 e em 1943 já tinha morrido. Foi funcionário público e "levou ao limite o seu dever cívico de resistência à catástrofe da guerra". Recusou a ocupação da França, o seu país de origem, pelo exército nazi e fez-se ao caminho.

Neste percurso de múltiplas identidades e destinos, em setembro de 1941 passou por Lisboa, andou pelo Largo Camões, entrou em livrarias, comeu na Trindade e sonhou com a recusa à morte de um ideal de civilização. Regressa agora à cidade que o abrigou incógnito para uma quinzena que lhe é dedicada.