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Portugal devia mudar o hino? 10 leitores do Expresso pronunciam-se a favor e contra

O desafio de rever o hino nacional lançado por Dino D’Santiago no aniversário do Expresso tem feito correr muita tinta. Por um lado, há quem defenda a atualização, por outro quem diga que o hino é um símbolo da identidade nacional e, por isso, não deve ser alterado. Eis o que pensam dez dos nossos leitores

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Um hino nacional é mais do que uma letra e uma melodia. É algo indissociável do nosso sentido de nacionalidade. É uma marcha que nos “mobiliza e predispõe moralmente, do ponto de vista sensitivo, de uma forma e não de outra”, defende em entrevista ao Expresso o historiador José Neves.

Nas últimas semanas, o nosso jornal tem publicado uma série de artigos sobre este símbolo nacional. Em causa está o desafio lançado pelo artista Dino D’Santiago de rever “A Portuguesa”.

Em resposta, foram muitos os leitores que partilharam connosco por email a sua opinião sobre o tema. Eis o que tinham a dizer:

Do “orgulho” nas lutas passadas ao “grito” de autoestima e união:

“Que interessante é discutir o tema. Quando canto o hino, já me questionei sobre isso de dizer os canhões. Depois concluí que faz parte da história do meu País e obriga-me a não esquecer que há passado, que Portugal e a República não começaram quando eu nasci, que há lutas travadas. E tenho orgulho nisso.”

[Sara Bello, 46 anos, Lisboa]

“Entendo que o nosso Hino reflete a nossa capacidade de resistência às agressões e invasões tanto de espanhóis como de franceses e até de luta contra os ingleses ocupantes quando a corte se exilou no Brasil. Ora quando nos lamentamos da falta de conhecimento/História das gerações mais novas porque mimetizam e sobrevalorizam tudo o que vem de fora, por que não manter o Hino como símbolo da nossa capacidade de resistência? Em tempos de perdas de soberania, o nosso Hino reforça a nossa autoestima e sente-se como um traço de união quando entoado nos estádios de futebol, e não só. É um Grito! Por favor deixem o Nosso Hino em paz.”

[Alexandre Batista, 74 anos, Gaia]

“Não quero ser chamado de conservador, mas nasci debaixo da bandeira com o hino que hoje temos a soar bem alto nos meus ouvidos. Cantei e ouvi o hino talvez milhares de vezes, jurei bandeira quando militar em Angola ao som dele, vejo os jogos da seleção nacional e identifico-me com ele. Não sou revolucionário nem acho que que faça qualquer dano moral ou psicológico às novas gerações, que não mais teriam que defender ou ter guerras coloniais, etc. Por tudo isso e muito mais, se fosse decisão minha, nem uma vírgula alterava. Um abraço deste nobre povo para a nação valente e imortal.”

[Fernando Ferrão, 70 anos, Sydney]

Não concordo com alteração da letra do hino nacional, mas aceito que outros tenham outra opinião. A minha opinião é que devemos manter a letra, porque daqui a alguns anos outros poderão pensar em mudar, o que descarateriza o passado. O exemplo da Inglaterra não serve de exemplo, pois muda só de rainha para o de rei.

[António Veiga, 71 anos, Santarém]

Fique a melodia, mude-se a “letra obsoleta” para refletir o “espírito moderno”:

“Sou de opinião que mediante prévia consulta popular ou ampla maioria parlamentar, poderíamos alterar a letra do Hino Nacional por forma a melhor identificar o espírito moderno da nossa Nação, sem prejuízo de contemporizar com o nosso passado histórico de quase mil anos de existência. Penso que com pequenas alterações da letra e mantendo a base isso seria conseguido.”

[Luís Chaves Gomes, 61 anos, Carcavelos]

“Não me revejo no hino. Já o cantei tantas vezes, é certo, mas o que me prende é a melodia e não a letra. A letra é obsoleta e já é hora que seja atualizada. De acordo com Dino de D’Santiago e Alçada Batista,

[Ana Petronilho, 44 anos, Lisboa]

“Completamente de acordo com o Dino D’Santiago. E que tal não ter letra. O hino de Espanha não tem!”

[Manuel Dominguez, 69 anos, Lisboa]

“Concordo com a mudança do nosso hino, com poema não bélico, pela paz e pela inclusão.”

[Constança Lucas, 62 anos, Brasil]

“Sim, concordo que a letra do hino nacional deve ser revista por forma a identificar a mesma com a atualidade das aspirações do povo.”

[Henrique Afonso, 60 anos, Cascais]

Concordo com uma nova versão, que apele à paz e a valores universais. Que não seja marcada por um momento para que a mensagem possa perdurar no tempo.

[Maria Arlete Dinis, 65 anos, Santarém]

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