Sociedade

Santander. Despedidos ficam abaixo dos 300

João Cipriano

03-09-2021

Apesar de ter anunciado a rescisão unilateral com 350 trabalhadores, o Santander em Portugal tem continuado a chegar a acordos para revogações por mútuo acordo e pré-reformas e, assim, o número de visados pelo despedimento coletivo desceu abaixo dos 300 funcionários, segundo informação apurada pelo Expresso. No BCP, o número de visados ficará abaixo de 100 efetivos.

O Santander em Portugal reduziu cerca de 400 postos de trabalho entre junho de 2020 e junho de 2021, abriu depois as portas à saída de mais 685, mas houve, nesse grupo, 350 funcionários que não aceitaram as propostas e que foram visados na intenção de despedimento coletivo. Agora, já houve decisões e acordos que fizeram esse número cair.

No BCP, também está para iniciar-se o despedimento coletivo de menos de 100 trabalhadores (de um total de 800 a 900 funcionários a que propôs rescisões amigáveis e pré-reformas, com sucesso de 80%). No mundo sindical, fala-se que podem sair no despedimento coletivo apenas 80 trabalhadores.

Enquanto não se iniciam os passos e procedimentos obrigatórios em despedimentos coletivos, os bancos ainda tentam negociações (o que não é inédito, razão pela qual é usual haver uma diferença entre a intenção de despedimentos e depois os trabalhadores efetivamente despedidos no desfecho dos processos). A realização de despedimentos coletivos não tem sido regra na banca e os casos do Santander e do BCP destacam-se por ocorrerem em simultâneo e afetando centenas de postos de trabalho.

Aliás, essa é uma das razões para a ativa atuação dos sindicatos e das comissões de trabalhadores. Os sindicatos do sector afiliados da UGT têm esta sexta-feira, dia 3, uma reunião com o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho. No encontro, as forças sindicais querem sensibilizar o Governo “para a injustiça de instituições com lucros pretenderem despedir centenas de bancários, deixando-os, e às suas famílias, sem recursos para se sustentarem”, como escreveram no comunicado enviado às redações. Se não houver mudanças, ameaçam com paralisação nacional.

Enquanto isso, o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) já decretou a realização de greves no Santander e no BCP, a 13 e a 17 de setembro, respetivamente.

Do lado dos bancos, a justificação para o emagrecimento prende-se, entre outros, com a redução dos proveitos (devido aos juros baixos) que obriga à consequente diminuição de custos, com a necessidade de investir em inovação e de renovação das competências do pessoal, e com a mudança de padrões de consumo dos clientes. É por isso, também, que os bancos têm encerrado agências (o Santander fechou mais de 100 no espaço de um ano; o BCP, 35 unidades).