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Missas em latim. Patriarca vai “seguir as indicações do Papa”

RUI MINDERICO

Decreto papal tentou travar o crescimento de movimentos ultraconservadores da Igreja Católica, pondo fim ao chamado rito antigo das cerimónias religiosas. Ultraconservadores acham que o Papa Francisco os tirou “da reserva para o zoo”

Um decreto papal (motu proprio) e uma carta aos bispos de todo o mundo são a forma encontrada pelo Papa Francisco para travar o crescimento de movimentos ultraconservadores da Igreja Católica. Em causa estão algumas Fraternidades (de São Pio X ou de São Pedro) que defendem o chamado rito antigo das cerimónias religiosas e que cada vez mais assumem uma oposição às normas do Concílio Vaticano II. Em Portugal, apenas no Patriarcado de Lisboa (em Marvila e na Igreja de São Nicolau) foram autorizadas missas em latim, mas dom Manuel Clemente assume que “seguirá, como sempre, as indicações do Papa Francisco”.

O assunto deverá ser debatido na próxima reunião plenária da Conferência Episcopal, mas “a reduzida expressão” que, segundo fontes da Igreja, os movimentos ultraconservadores têm em Portugal não está a colocar os bispos nacionais em estado de alerta. Dom Manuel Linda, bispo do Porto, confirmou ao Expresso terem sido pedidas autorizações para a celebração de missas em latim — com o padre de costas para a audiência e com a comunhão recebida com os fiéis de joelhos —, mas “não foram realizadas nenhumas”. Neste momento, na diocese do Porto “nenhuma paróquia” celebra de acordo com o rito antigo, razão pela qual “não se aplica” a orientação do Papa, diz o bispo portuense que, aliás, foi um dos primeiros a levantarem a voz contra o que classificou serem “rituais esotéricos” celebrados com “latins e latinórios, rendinhas e rendilhados, vénias e salamaleques” por padres que usam “indumentária de circo”. Também em Coimbra, onde a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X mostrou vontade de se expandir, o vigário-geral disse ao Expresso não ter tido “conhecimento de qualquer pedido à diocese”.