Sociedade

“Quis passar despercebido. Mas vi o inspector com o pé na cabeça do Ihor.” Mais uma testemunha, mais uma mudança de depoimento

O Ministério da Administração Interna anunciou mudanças no funcionamento do SEF no aeroporto depois da morte de Ihor
Ricardo Mussa

O segurança Manuel Correia contou esta quarta-feira em tribunal que “não esperava” a reacção “excessiva” dos inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras contra o ucraniano Ihor Homeniuk, morto no aeroporto de Lisboa. “O que custou mais foi o primeiro impacto”, afirmou

24-02-2021

Manuel Correia, o outro segurança que tentou controlar o ucraniano Ihor Homeniuk na noite de 11 de março foi de 2020, só perdeu a atitude sólida que mostrou em tribunal quando foi confrontado com uma contradição óbvia entre o que disse agora e o que contou em março do ano passado à Polícia Judiciária (PJ).

Primeiro, não tinha visto qualquer agressão; agora, descreveu com detalhe como viu o inspector Laja "a pressionar com o pé" a "cabeça de Ihor Homeniuk na zona da nuca", enquanto o imigrante ucraniano estava no "chão a debater-se".

O vigilante conta que foi à porta da sala Médicos do Mundo depois de ouvir "barulhos". "O que custou mais foi o primeiro impacto. Não estávamos à espera daquela reação tão excessiva dos inspectores". Só gritavam : sstá quieto, está quieto".

Confrontado com facto de estar agora a descrever agressões que dantes disse não ter visto, foi claro: "quis passar despercebido".

Manuel Correia garantiu ainda não ter agredido Ihor Homeniuk a soco, a pontapé ou com a revista que levou para sala. "Quis entretê-lo e até lhe mostrei o Cristiano Ronaldo."

O julgamento prossegue no dia 26 de fevereiro.

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