Sociedade

Sessão do Liceu Camões interrompida por ataques racistas e neonazis

Uma sessão dedicada à escravatura e ao racismo foi invadida por pessoas de rosto disfarçado que mostraram imagens violentas, desenharam suásticas e ainda proferiram ameaças racistas. Escola já fez queixa ao Ministério Público e Polícia Judiciária diz que vai investigar

23-02-2021

Uma sessão organizada pela Associação de Estudantes da Escola Secundária de Camões, via Zoom, foi interrompida por várias pessoas com ataques racistas e neonazis. Segundo o "Público", a sessão tinha como tema "A Influência da Escravatura no Sistema e o Racismo Institucional", contava com a colaboração de um grupo de alunos africanos e foi interrompida pouco depois de ter início.

De rosto disfarçado, os infiltrados mostraram imagens de suásticas e de pessoas negras violentadas. No vídeo que ficou gravado ouvem-se sons de macacos e várias vozes, em inglês, a dizer "preto volta para África". Foram ainda desenhadas suásticas nos rostos de pessoas negras e de quem estava a falar.

A direção da escola já enviou uma queixa ao Ministério Público e garantiu que esta foi a primeira vez que aconteceu um episódio deste género. A Polícia Judiciária confirmou que vai investigar o caso e, neste momento, a escola está a discutir formas de "prevenir e evitar a entrada de pessoas estranhas com ações intencionais de discriminação".

Nuno Coelho, professor da Universidade de Coimbra e o único adulto presente na sessão, já fez também queixa ao Ministério Público e à Comissão pela Igualdade e contra a Discriminação Racial.