Um post partilhado em julho pelo Movimento Zero (M0), grupo inorgânico criado no Facebook por agentes da PSP e militares da GNR, com posições públicas próximas da direita mais populista e até de extrema-direita, e com mais de 76 mil seguidores, surge como sendo patrocinado pela GNR. No cimo do post do M0 pode ler-se: "Financiado por GNR - Guarda Nacional Republicana. GNR - Guarda Nacional Republicana deu uma recompensa a Movimento Zero por partilhar esta publicação. Os conteúdos de marca permitem que os criadores façam parcerias com as marcas para promoverem os seus produtos e serviços."
O post em questão faz uma crítica a um artigo de opinião da advogada Carmo Afonso, na edição online de 27 de julho, que põe em casa o uso e porte de armas em determinadas situações por elementos das forças de segurança - mas que de dedicava sobretudo a casos de racismo ou de violência nas forças policiais. Nesta publicação do Facebook, o Movimento Zero diz repudiar "a manifesta repulsa pelas forças de segurança, exposta no artigo de opinião". E que tem vindo a confirmar que "criticar, enxovalhar, desrespeitar ou desconsiderar os Polícias não são apenas atos de assumidos delinquentes. São de facto, atos também vulgarmente cometidos por certas personalidades letradas!" E acrescentam: "Os Polícias não têm qualquer dúvida que a verdadeira intenção do artigo é instrumentalizar contra as forças de segurança!" e de "abolir as forças de segurança."
O Expresso perguntou ao gabinete de relações públicas da GNR se de facto tinham patrocinado o post mas a resposta foi de que a página do Facebook da Guarda foi identificado na publicação do M0 à revelia daquela instituição. "Fomos surpreendidos com este facto e já promovemos a retirada do patrocínio", diz ao Expresso o porta voz da instituição, o tenente-coronel José Fonseca. Este responsável diz desconhecer como algo do género possa ter acontecido, acrescentando que a GNR vai apurar as circunstâncias deste ato. "Não descartamos um cenário de pirataria. Houve um abuso sobre a nossa página do Facebook." Até porque, acrescenta esta mesma fonte, a GNR não se associa a este tipo de ponto de vista expressado pelo M0. "Não há patrocínio nenhum. Admitimos todos os cenários. Se for o caso, agiremos criminalmente."
A política do Facebook sobre patrocínios de páginas é clara: "Uma publicação de parceria paga (também conhecida como conteúdo de marca) utiliza uma etiqueta 'com' para apresentar aos utilizadores o nome da Página do parceiro de negócios. A etiqueta Pago é aplicada à publicação nos metadados (a cinzento, junto à data e hora). Se a publicação foi promovida ou for um anúncio não publicado, será apresentada a etiqueta Patrocinado, como em qualquer outro anúncio no Facebook." E mais: "As publicações com conteúdos de marca são apresentadas como a tua Página com a Página de uma marca e a etiqueta Parceria remunerada é aplicada a cinzento à publicação."