Sociedade

Covid-19. Última semana de novembro registou pico de mortos em Portugal (e o saldo de internados mais baixo em dois meses)

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Análise aos boletins da Direção-Geral da Saúde revela ainda que na semana de 23 a 29 de novembro o número de pessoas que recuperaram da doença superou os casos positivos

29-11-2020

A última semana de novembro é agridoce no que respeita aos números da evolução do novo coronavírus em Portugal. De acordo com os dados dos boletins da Direção-Geral da Saúde (DGS), agregados pelo Expresso, registaram-se 530 mortos por covid-19. É o número mais alto de sempre desde o início da pandemia, ultrapassando o recorde atingido na semana anterior (516 mortes).

Na primeira vaga, o registo mais alto datava do período entre 13 e 19 de abril: 210 óbitos, menos de metade do pico - pelo menos até ao momento - desta segunda vaga

Mas também há boas notícias a dar. O número de doentes que recuperou do vírus foi de 36.615, o que é superior aos casos positivos (34.041). Ou seja, o número de casos ativos que se regista este domingo (80.838) é inferior ao de há uma semana (83.942).

O número de pessoas infetadas é aliás o mais baixo das últimas quatro semanas: para encontrarmos um registo inferior aos 34.041 novos casos entre 23 e 29 de novembro temos de recuar à semana entre 26 de outubro e 1 de novembro (25.655).

Também se registam dados positivos quanto ao saldo de doentes internados: é verdade que este domingo há mais 94 hospitalizados do que há uma semana, mas esse crescimento é o menor dos últimos dois meses (desde que na semana 28 de setembro a 4 de novembro o saldo de internados foi de +47). Na semana anterior (16 a 22 de novembro) o saldo tinha crescido com mais 222 internados.

Em termos de hospitalizados nos cuidados intensivos, o saldo cresceu em 45 pacientes, um número bem abaixo dos 76 da semana anterior, do recorde de 129 do início da pandemia (semana de 30 de março a 5 de abril) e do pico da segunda vaga neste parâmetro (+94, registado na semana de 2 a 8 de novembro).

Em resumo, estes dados parecem indicar que a pandemia ainda não está em regressão, mas a curva de crescimento parece estar a abrandar, não se refletindo ainda nos óbitos. Como os especialistas têm sublinhado, a mortalidade será o último fator a descer num cenário de abrandamento da transmissão do vírus.