Sociedade

Refrigerantes light causam mesmo risco de doenças cardíacas do que bebidas normais, revela estudo da Universidade Sorbonne

26-10-2020

Justin Sullivan/Getty Images

Os investigadores, que acompanharam 104 mil pessoas ao longo de dez anos, descobriram que os consumidores de bebidas açucaradas e artificialmente adocicadas revelaram ter até 20% mais probabilidade de sofrer doenças cardíacas, AVC ou ataques cardíacos do que aqueles que evitam refrigerantes. O estudo que tardou uma década a conhecer a luz do dia mostrou que as pessoas que bebiam muitas bebidas light ou diet, com baixo teor de açúcar, tinham o mesmo risco elevado de padecer de doenças cardíacas em comparação com aquelas que bebiam as versões normais, com açúcar

Um estudo da Universidade Sorbonne, de Paris, concluiu que as bebidas com adoçantes artificiais - ou light, diet, zero - deverão ser tão prejudiciais para o coração como os refrigerantes normais, escreve a CNN.

O líder da investigação, Eloi Chazelas, confirmou que as “bebidas com adoçantes artificiais podem não ser um substituto saudável para bebidas açucaradas”, alertando ainda para outra questão que se prende com o debate sobre “impostos, rotulagem e regulamentação de bebidas açucaradas e bebidas com adoçantes artificiais".

Os investigadores, que acompanharam 104 mil pessoas ao longo de dez anos, descobriram que os consumidores de bebidas açucaradas e artificialmente adocicadas revelaram ter até 20% mais probabilidade de sofrer doenças cardíacas, AVC ou ataques cardíacos do que aqueles que evitam refrigerantes. O estudo, que tardou uma década a conhecer a luz do dia, mostrou que as pessoas que bebiam muitas bebidas light ou diet, com baixo teor de açúcar, tinham o mesmo risco elevado de padecer de doenças cardíacas em comparação com aquelas que bebiam as versões normais, com açúcar.

A CNN recuperou um outro estudo de 2019, da revista científica “Circulation”, para acompanhar a teoria. Essa investigação comparara mulheres que bebiam refrigerantes com açúcar, bebidas isotónicas (para depois da prática de desporto) e sumos menos de uma vez por mês com outras mulheres que o faziam mais de duas vezes por dia (copo, garrafa ou lata). O resultado? As segundas tiveram um aumento de 63% de risco de morte prematura. Já o mesmo exercício nos homens revelou que o segundo grupo, os que tomavam as tais bebidas duas vezes por dia, registaram um aumento de risco de morte prematura de 29%.

Em 2018, em Portugal, cada português consumiu 60 litros de refrigerantes, o que equivalia a 3,3 quilogramas de açúcar, um valor inferior ao que tinha sido registado em 2017, quando começou a ser aplicado o imposto sobre estas bebidas. Em 2017, o relatório do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável revelava que o consumo per capita tinha sido de 75 litros (4,4 Kg de açúcar).

Há pouco mais de um ano, em setembro de 2019, o Expresso deu conta de um outro estudo publicado na revista especializada “JAMA Internal Medicine” que revelava então uma relação entre o consumo de refrigerantes e mortalidade prematura em dez países europeus. O ponto de partida da investigação era: “O consumo regular de refrigerantes está associado a um maior risco de mortalidade por todas as causas e por causas específicas?”. A resposta dos investigadores foi taxativa: sim.

Quem bebe dois copos de refrigerante por dia, o equivalente a meio litro, corre um risco de morte prematura 17% maior do que aqueles que bebem apenas um copo por mês, dizia esse estudo, com números ainda assim mais favoráveis do que os conhecidos esta segunda-feira. Uma das surpresas deste estudo, escrevia na altura este jornal, residia no facto de os refrigerantes light ou zero terem um risco de morte prematura muito mais alta (26%) do que os refrigerantes tradicionais (8%).

O copresidente do grupo de trabalho de nutrição e estilo de vida do American College of Cardiology, que não esteve envolvido na elaboração do estudo da Sorbonne, diz que a conclusão não tem nada de novo. As bebidas com adoçantes artificiais não são, diz Andrew Freeman, uma solução. “Houve recentemente provas, nos últimos dois anos, de que essas bebidas possivelmente causam dano, principalmente nas mulheres."