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Quão sexista é a Língua Portuguesa e como é que isso se resolve? Uma reflexão a partir do documento que indignou os militares

RUI MINDERICO

O Ministério da Defesa enviou ao Estado-Maior-General das Forças Armadas e aos três ramos militares - Marinha, Exército e Força Aérea - uma diretiva que determina mudanças no Português utilizado em documentos oficiais. Exemplos: usar “data de nascimento” em vez de “nascido em”, “a coordenação” em vez de “o coordenador” ou “a classe política” em vez de “os políticos”, bem como formas duplas (“estas instalações destinam-se a alunos e alunas”). A Associação de Oficiais das Forças Armadas já disse que esta diretiva é “uma baboseira e uma provocação aos militares”, o Expresso dá agora a voz a especialistas: falam Pedro Mexia (que vê alguns exemplos “absurdos” nesta diretiva), a socióloga Isabel Ventura (que lembra que “desde 1985 que há recomendações para a eliminação do sexismo na linguagem”), Manuela Tavares, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (“quem pensa que estas questões são uma embirração das feministas está muito enganado”), e Susana Pereira, da Associação para a Cidadania (“A Língua não é neutra, reflete e influencia atitudes, comportamentos e estereótipos de género”)

A linguagem é como um corpo que dança, mutável, que envelhece e se renova. Descobre novas fórmulas e junta informação e lembranças, jeitos, escolhas, estilos e tons que atentam ou que defendem a dignidade de determinados grupos de pessoas. Há um passado, um presente e um futuro, o que será, o que se recomenda, o que é apropriado, o que se exige, pois os tempos mudam e a linguagem muda ou pode mudar com eles.

Essa mesma linguagem está agora no centro de uma polémica, depois de o Ministério da Defesa ter enviado ao Estado-Maior-General das Forças Armadas e aos três ramos militares - Marinha, Exército e Força Aérea -, no dia 18 de setembro, uma diretiva para aquelas entidades recorrerem a uma linguagem inclusiva, recorrendo a “termos neutros”, “sensível ao género”, evitando a “utilização de linguagem discriminatória”, anulando assim os “estereótipos existentes”. No documento, a que o Expresso teve acesso, estão tópicos como "substituição de nomes por pronomes invariáveis", "soluções alternativas" e "as formas duplas". As orientações (algumas na imagem em baixo) aplicam-se a todos os documentos oficiais.

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