Apesar dos sinais internacionais, foi tudo muito repentino: da passada sexta-feira para esta segunda, a vida dos portugueses mudou radicalmente. Também os psicólogos tiveram de se adaptar e as consultas passaram a ser feitas por Skype. Maria José Marinho é um destes casos: transferiu a agenda para a internet, mantendo as horas de atendimento. E conta ao Expresso o que está a encontrar na casa das famílias confinadas.
"Ainda é muito cedo para sabermos como as crianças vão reagir e que efeitos ficarão a longo prazo. Mas, para preparar o que vai acontecer, é preciso contar-lhes o que se passa", avisa a psicóloga. As crianças ouvem tudo, absorvem o que se passa à volta delas, mas é necessário adaptar a linguagem às características de cada idade, alerta.
"Não falar não é benéfico porque abre espaço para que as crianças fantasiem. Ainda por cima esta situação é um pouco irreal, as crianças veem aquelas imagens de médicos com fatos que parecem do universo dos desenhos animadas que estão acostumados a assisitr. Tudo parece um pouco irreal. É preciso falar a verdade, mas também não há uma verdade específica, a situação muda a todo o momento."
Com as crianças à volta dos quatro anos é preciso evitar a utilização de palavras como "bicho mau" ou "papão". É sempre mais correto falar de um vírus, algo pequeno que não se vê mas que se propaga. Nestas idades, as crianças começam a ser confrontadas com a ideia da morte, muitas vezes pela primeira vez.