Paulo "Fechaduras" Lemos, a testemunha-chave no caso do roubo das armas de Tancos, está a ser ouvido esta sexta-feira durante a fase de instrução no Tribunal de Monsanto.
De acordo com a investigação, Lemos foi convidado pelo alegado líder do roubo, João Paulino, para participar no crime durante um almoço numa tasca em Sete Rios (Lisboa), em março de 2017. Em troca, receberia 50 mil euros.
Lemos sugeriu a Paulino o uso de um saca-cilindros para arrombar as fechaduras dos paióis. Cinco dias depois desse almoço, acabou no entanto por se arrepender e revelou a uma procuradora do DIAP do Porto que estava a ser preparado um assalto a umas instalações militares na zona centro do país.
O assalto veio a dar-se três meses depois do almoço em Sete Rios, na madrugada de 28 de junho de 2017.
Lemos ainda chegou a ser constituído arguido no caso mas acabou por se tornar apenas em testemunha. Durante o interrogatório ao juiz João Bártolo, revelou que depois do assalto chegou a colaborar com a Polícia Judiciária com o objetivo de apanhar o grupo de assaltantes. Esta foi aliás uma das duas operações encobertas da Judiciária.
Lemos revelaria ao magistrado e as procuradores do DCIAP que avisou um dos elementos do grupo, que era seu amigo, da existência de um elemento do IRA interessado em comprar uma parte do material roubado. Desconfiado de que Lemos estava a colaborar com a PJ, o grupo não aceitou encontrar-se com o alegado operacional irlandês. E a missão para restituir as armas acabou por falhar.
Esta sexta-feira, Paulo Lemos está a ser interrogado pelo juiz de instrução Carlos Alexandre e também por alguns advogados de outros arguidos. Uma das pessoas presentes no tribunal é João Paulino, que na semana passada passou a estar em liberdade, depois de um ano e quatro meses em prisão preventiva.
O caso tem 23 acusados, entre eles o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes e o ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, bem como outros elementos desta polícia e da GNR. Destes 23, há nove elementos ligados ao assalto. Os restantes catorze são suspeitos de orquestrar a missão ilegal de recuperação das armas. Os principais crimes de que estão acusados são os de associação criminosa, denegação de justiça ou abuso de poder.
A próxima audição do caso é de Azeredo Lopes, no dia 3 de fevereiro, segunda-feira, no Tribunal de Monsanto.