Sociedade

Câmara de Santa Comba Dão recebeu duas estátuas de Salazar. Para quê? Ninguém sabe

O Centro Interpretativo do Estado Novo em Santa Comba Dão tem sido alvo de polémica. Oliveira Salazar ainda divide o país, 49 anos depois da sua morte
D.R.

A autarquia assinou um protocolo com a Direcção-Geral do Património Cultural para receber uma estátua de bronze com 2,3 metros, que representa o ditador em vestes doutorais, e um busto em pedra, que pesa 500 quilos

13-12-2019

Em setembro de 2017, a autarquia de Santa Comba Dão, terra natal de António de Oliveira Salazar, assinou um protocolo com a Direcção-Geral do Património Cultural, para receber uma estátua de bronze com 2,3 metros, que representa o ditador em vestes doutorais, e um busto em pedra, que pesa 500 quilos. As duas peças chegaram há pouco tempo às mãos do município, mas o seu destino não é conhecido, avança o “Público” esta sexta-feira.

De acordo com um documento a que o jornal teve acesso, datado de 2017, a autarquia presidida pelo socialista Leonel Gouveia comprometia-se a assegurar “a criação de condições adequadas à sua conservação e exposição nas instalações da Câmara Municipal de Santa Comba Dão”. Os custos de transporte - as estátuas estavam armazenadas em Loures - foram pagos pelo município.

No preâmbulo dos pedidos das estátuas era feita referência ao projeto da Rota de Figuras do Estado Novo. Entretanto, o projeto histórico-cultural já não tem a configuração que tinha quando foi assinado o protocolo com a DGPC.

Durante uma reunião de executivo de Santa Comba, no passado dia 12 de novembro, a vereadora do PSD Inês Matos questionou Leonel Gouveia sobre o protocolo. Segundo a ata da reunião, o autarca confirmou que as estátuas estão “em instalações municipais, devidamente acomodadas”, e que, “a seu tempo” se verá “qual será a melhor utilização a ser dada”.

Leonel Gouveia disse também à vereadora que as peças foram para Santa Comba Dão por proposta da DGPC. O autarca não respondeu às várias tentativas de contacto do jornal.