Sociedade

564 alunos entraram no ensino superior sem passar no liceu

Sean Gallup/Getty

Entre os cinco alunos que tiveram 20 valores de nota de candidatura, dois vieram de cursos de Educação e Formação de Adultos. Colocação por esta via triplicou em cinco anos

14-09-2019

Beatriz Jorge dificilmente ia passar no 12º ano. “Não era muito boa aluna, mas conseguia fazer. Safava”, explica. O problema era Geometria Descritiva. Por mais que estudasse, não conseguia positiva. E não é possível terminar o secundário com negativa a nenhuma disciplina. Por isso, no final do passado ano letivo, por sugestão de amigos, pediu à direção da secundária Avelar Brotero, em Coimbra, onde estudava, para ingressar num curso de Educação e Formação de Adultos (EFA), uma via alternativa criada para quem tem mais de 18 anos e o objetivo de “adquirir habilitações escolares e/ou competências profissionais, com vista à (re)inserção ou progressão no mercado de trabalho”, lê-se no site da Agência Nacional para a Qualificação.

Mas Beatriz queria mesmo ir para o ensino superior. Concluído o secundário via EFA, apresentou-se ao exame nacional de Desenho A e conseguiu a nota máxima: 20 valores. Não é de espantar. Faz retratos a lápis que parecem fotografias e domina a luz, sombra, ângulos, volumes e proporções dos objetos. Com essa única nota candidatou-se a Artes Plásticas no Politécnico de Leiria e, claro, entrou.

Como os cursos EFA não têm disciplinas — só os módulos de Cidadania e Profissionalidade, Cultura, Língua e Comunicação, e Sociedade, Tecnologia e Ciência — nem notas finais, a lei prevê que a média de candidatura seja apenas a da classificação obtida no exame exigido pelo curso como prova de ingresso. Já os alunos do ensino regular, concorrem com a média nos exames que são prova de ingresso e as notas do 10º, 11º e 12. Mas os primeiros não podem tirar lugar a estes últimos. Se necessário são criadas vagas adicionais.

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