Sociedade

Câmara Municipal de Santa Comba Dão nega ideia de promover "Museu Salazar"

O Centro Interpretativo do Estado Novo em Santa Comba Dão tem sido alvo de polémica. Oliveira Salazar ainda divide o país, 49 anos depois da sua morte
D.R.

Leonel Gouveia assina nota de esclarecimento onde diz que pretende "apresentar de forma isenta um importante período da nossa história que não pode ser apagado"

24-08-2019

A autarquia socialista de Santa Comb Dão perante as noticias, "muitas delas descontextualizadas", que recentemente dão como certa a criação na região de um museu dedicado a António de Oliveira Salazar, sentiu necessidade de fazer uma nota de esclarecimento onde nega a criação do "Museu Salazar". Mas assume que, em conjugação com outras entidades da região, com destaque para a ADICES - Associação de Desenvolvimento Local -, "tem vindo a trabalhar num projeto cultural agregador do potencial turístico da região, visando a criação de uma rede de Centros Interpretativos de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo". Uma rede que, segundo Leonel Gouveia, visa "a promoção e o aprofundamento da democracia e do desenvolvimento integrado de um vasto território da região Centro" e dar a conhecer a participação destes territórios na história política do século XX português. O presidente da câmara sublinha ainda que "toda a consultoria científica e tecnológica é assegurada pela equipa do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra.

Recorde-se que o projeto da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, que começou a construir naquela cidade um Centro Interpretativo do Estado Novo, tem sido alvo de uma forte polémica, que nas últimas semanas ganhou ênfase com a criação de duas petições antagónicas. De um lado uma petição online, que subscreve uma carta de 204 presos políticos enviada ao primeiro-ministro António Costa, condena a ideia de um museu por entenderem que “se prefigura como um instrumento ao serviço do branqueamento do regime fascista (1926 - 1974) e um centro de romagem para os saudosistas do regime derrubado com o 25 de abril” . Esta petição, “Museu de Salazar, Não!” , já recolheu quase 17 mil assinaturas, mais do que as 16 mil reunidas numa petição semelhante criada em 2007, quando a ideia de um museu sobre o ditador chegou a ser avançada e depois abortada. Do outro lado, foi criada a petição chamada “Museu Salazar, Sim”, que já tem mais de 9 mil subscritores, com os apoiantes do Centro Interpretativo do Estado Novo a argumentar que "o Património do Dr. Salazar é fundamental para o conhecimento da história do Sec XX em Portugal, pelo que defendemos a criação de um museu onde o mesmo possa estar exposto".