O Oceanário de Lisboa anunciou na segunda-feira que está a estudar um projeto de expansão para dar resposta ao crescimento constante do número de visitantes, que em 2017 atingiram 1,3 milhões, o que faz de uma das infraestruturas mais emblemáticas do Parque das Nações o segundo local mais visitado da capital a seguir ao Castelo de São Jorge.
"Estamos a ter grande sucesso, a crescer muito, mas isso coloca-nos um dilema, ou expandimos o Oceanário ou aumentamos os preços", afirmou num encontro com jornalistas José Soares dos Santos, presidente da Fundação Oceano Azul (FOA), concessionária do Oceanário desde a sua privatização. "E a nossa decisão é expandir e adicionar muito mais espaço de experiência sobre os oceanos aos nossos visitantes". O encontro foi realizado a propósito dos 20 anos da Expo 98, que esta terça-feira se comemoram com uma série de iniciativas no Parque das Nações.
A vontade da FOA é arrancar em 2021 com a construção de um novo edifício junto ao edifício principal, que já tem as partes de ligação feitas. "A expansão é inevitável porque a missão do Oceanário é chegar a cada vez mais gente, é fazer com que mais visitantes se possam maravilhar com a vida marinha", sublinha José Soares dos Santos. O investimento previsto ainda não é conhecido e os conteúdos do novo espaço estão a ser estudados. "Repetir o edifício principal com um novo tanque seria um erro e por isso estamos a estudar que experiências novas queremos produzir, com a ajuda de tecnologia". Mas há um conceito que permanece "e que é fundamental na nossa mensagem ao público: na Terra há um só oceano onde tudo está ligado".
Combinar ciência com emoção
Ao contrário dos turistas estrangeiros, os visitantes portugueses "estão em declínio, o que é natural, porque muitos já visitaram o Oceanário pelo menos uma vez". Por isso mesmo, as exposições temporárias do edifício mais pequeno "têm precisamente como objetivo chegar ao público português". Mas para todos os visitantes "o objetivo é combinar a ciência, a racionalidade, com a emoção ao passarmos a mensagem da importância dos oceanos para a sustentabilidade do planeta", destaca o presidente da FOA.
João Falcato, administrador da Fundação, alerta que "nos últimos dois anos a degradação dos oceanos foi devastadora, porque 30% dos corais desapareceram. Se 30% das florestas da Terra desaparecessem em tão pouco tempo, toda a gente diria que era uma situação muito grave". Nesta perspetiva, "no futuro só farão sentido no nosso setor de atividade instituições de conservação". É isso que o Oceanário já está a fazer, porque "todos os lucros que temos são aplicados com esse objetivo desde que foi privatizado em 2015, sem qualquer distribuição de rendimentos ao acionista" (a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, do Grupo Jerónimo Martins). Antes, 100% dos dividendos desta infraestrutura revertiam para o Estado.
Desde a entrega da concessão à FOA já foram investidos sete milhões de euros na renovação dos equipamentos "e duplicámos em 2017 o número de pessoas abrangidas pelos nossos programas educativos", que envolveram 168 mil participantes. "Agora vamos passar a levar esses programas às escolas", explica João Falcato. Na conservação das espécies marinhas e dos ecossistemas a FOA tem financiado projetos nas universidades, tendo investido 500 mil euros em dois anos, "mais do dobro do que foi investido nos 18 anos anteriores".
Passar a mensagem da sustentabilidade
E a mensagem da sustentabilidade passou também para as próprias instalações do Oceanário. A loja e o restaurante foram alargados e remodelados e o objetivo em três anos é ter 95% dos produtos vendidos sustentáveis num espaço que agora se chama Seathefuture. "Temos de ser coerentes com o que defendemos e para já temos 30% de produtos sustentáveis na loja, devidamente identificados", revela o administrador.