Uma manhã cheia para a campanha de Ana Gomes: não só de iniciativas, como de mensagens políticas e até de 'scoops' jornalísticos. Começou no 'rooftop' de um hotel, na Figueira da Foz, em plena piscina interior. O cenário ideal, para discutir os problemas ambientais da região e até para Ana Gomes falar na infância, nas aulas de piano e no momento em que aprendeu a andar de bicicleta.
A candidata tem 21 compromissos eleitorais que quer fazer valer e tenta ir a todos: desde os problemas ambientais, ao reforço do papel do Estado e do investimento em serviços públicos, até ao combate pela democracia e pela liberdade, está lá tudo. E Ana Gomes tenta meter o Rossio na rua da Betesga. Hoje, foi mais entre a Figueira da Foz e Coimbra.
Depois de largar os ambientalistas, a candidata chega às instalações do INEM. À sua espera está Rosário Gama, líder da Apre que "a título meramente pessoal e não em nome da Associação" está ali para manifestar o seu apoio à candidata. O dia está de sol e as laranjeiras mesmo à frente do edifício estão tão carregadas que espalham frutos pelo chão. A candidata não é de meias tintas e começa a apanhar laranjas do chão. "Estas não são boas", diz-lhe alguém da comitiva. "Não faz mal, são boas para sumo".
Ninguém trava a candidata, que está contente com os apoios que vai arrecadando. De surpresa, o presidente da Câmara da Figueira, veio ao 16º andar do hotel e à piscina para saudar a candidata. Se não é um apoio, parece. Mas, Ana Gomes garante: "eu não lhe pedi". E Carlos Monteiro responde: "eu também não lho dei". O compromisso político fica no ar. "Há candidatos em quem não voto", mas a candidatura de Ana Gomes "é daquelas em que poderia e poderei votar". Poderia ou poderá, eis a questão.
Da conversa com os responsáveis do INEM, Ana Gomes sai "preocupada" com os números alarmantes da escalada da pandemia em Portugal e aproveita para retomar as críticas a Marcelo por "ter dado a mão aos privados" na gestão desta crise sanitária. Pior, o atual Presidente "minou uma melhor negociação do Estado com os privados para serem pagos a custo justo", diz a candidata.
A requisição civil na área da Saúde para ajudar no combate à pandemia volta a cima da mesa. "Devo ter sido a primeira pessoa a falar nisso". Com os dados diários a estalarem, "é uma questão essencial".
"Sem Efe erre As"
Oficialmente, o programa oficial de campanha terminava aqui, mas como tem sido pratica na corrida a Belém de Ana Gomes, a organização trocou as voltas e ainda conseguiu encaixar um encontro na Associação Académica de Coimbra. A direção associativa, acabada de eleger no início de dezembro, numa lista 'unitária'" de esquerda, recebeu a candidata à porta. Ana Gomes estava comovida por entrar numa casa que "para a minha geração, está na nossa mente como centro de resistência e de resiliência no combate pela liberdade".
De traje académico e capa, João Assunção fez as honras da casa, sem deixar de pedir a intervenção de Ana Gomes, caso seja eleita, para acabar de vez com as propinas e ponderar a hipótese de chamar os jovens para o Conselho Estado. A candidata achou bem e comprometeu-se "até a mais. Comprometo-me a crir um conselho de jovens na Presidencia da República, capaz de me dar a percepção dos desejos da juventude".
Já quanto às propinas gratuitas, a pergunta teve de ser repetida. "Trata.se de dar cumprimento ao que está na Constituição" E se a falta de verbas não servem, neste momento, de escusa. "Não me venham com as desculpas que não há recursos, quando o Estado em média perde mil milhões de euros por ano em desvio de dinheiros para off-shores".
Os estudantes ficaram satisfeitos e para a candidata a manhã acabou bem com o vice-presidente da Câmara de Coimbra e presidente da concelhia do PS pediu para falar. "Há momentos na vida política em que não podemos deixar de ter uma intervenção ativa"., disse Carlos Cidade. Para ele, este era o momento. "O espaço ideológico de Ana Gomes é o da luta pela liberdade e pela democracia. Qualquer social democrata e qualquer socialista não pode deixar de votar nela".
A manhã acabou bem. Ninguem gritou "Efeerreá" para saudar a visitante ilustre, nem lhe estendeu as capas pelo chão à sua passagem. Mas entregaram-lhe uma capa de Coimbra como recordação. Um mimo para o resto da caminhada que Ana Gomes tem pela frente.