A decisão “à trouxe-mouxe” de estender o voto antecipado em casa dos infetados ou em isolamento profilático aos utentes dos lares de idosos é tida por Rui Moreira como uma total irresponsabilidade. "Das duas uma: ou precisamos de confinar as pessoas por razões de saúde pública ou não precisamos", defende. Na opinião do autarca do Porto, em democracia, as leis e até a Constituição podem ser alteradas, razão pela qual sustenta que o adiamento das eleições por um mês seria perfeitamente exequível. A última gota que fez transbordar a indignação de Moreira foi, contudo, o anúncio, domingo, de Eduardo Cabrita sobre a possibilidade de os idosos votarem nos lares, algo que titula de “imprudência sanitária”, operação que, receia, “não garante o sigilo de voto, sobretudo no caso de pessoas acamadas”.
Hélder Sousa Silva, líder dos autarcas sociais-democratas, também antecipa uma logística “complexa”, sustentando que o Governo negligenciou todo o processo do voto antecipado nas residências seniores e em casa dos eleitores infetados ou em isolamento profilático. O presidente da Câmara de Mafra garante que os autarcas ainda “estão no escuro quanto às regras do voto nos lares”, já que ao contrário do que sucede no voto ao domicílio, em que as equipas de recolha de boletins ficarão à soleira da porta, nas residências da terceira idade não basta colocar uma mesa de voto no atrium, mas ir ao quarto dos acamados.