Política

Raimundo critica Governo por “não permitir a fixação de preços do cabaz alimentar"

O secretário-geral comunista, Paulo Raimundo, reafirmou este domingo a vocação do Partido Comunista como voz de protesto

Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP
Ana Baiao

O secretário-geral comunista, Paulo Raimundo, reafirmou este domingo em Torres Novas a vocação do partido como voz dos trabalhadores, do povo e dos jovens na luta e no protesto. E assegurou que o partido não está parado no tempo.

Numa intervenção de 17 minutos, Paulo Raimundo deixou críticas ao Governo socialista, por “não permitir a fixação de preços do cabaz alimentar, dando gás à especulação”, por recusar o passe gratuito para os jovens e a imposição de limites nas rendas da casa e nos despejos, “numa altura em que o Banco de Portugal anuncia de forma vergonhosa que a prestação média do crédito à habitação aumente mais de 30% até ao final de 2023”.

“Que dizer destas opções num momento em que os grupos económicos anunciam quatro mil milhões de euros de lucros nos primeiros nove meses do ano. Que crise tão estranha é esta? Isto não é crise, é injustiça. Tudo isto, e muito mais, foi rejeitado agora mesmo no Orçamento do Estado. Ficaram pior os trabalhadores e as populações, ficaram satisfeitos os grandes grupos económicos”, declarou.

Paulo Raimundo falava no final de um almoço/comício da campanha “Faz das injustiças força para lutar! — mais salários e pensões, saúde e habitação”. Aos "adversários", que continuam a querer dar “lições” ao partido sobre o que diz, a quem diz, como diz e quando diz, o novo secretário-geral do PCP frisou que continuará, como sempre, a falar dos trabalhadores, do povo e da juventude.

“E quem mais falaria, se não o próprio partido dos trabalhadores?”, interrogou, acrescentando que continuará a falar do povo, porque o partido é “parte deste povo capaz de realizações extraordinárias, como a Revolução de Abril”, e da juventude, pelo seu direito à educação, à cultura, ao desporto, ao lazer, ao trabalho com direitos, à habitação, ao direito a constituir família.

O PCP continua “ao seu lado na luta contra a precariedade e os baixos salários”, acrescentou. “Dizem que agora a luta voltou, como se alguma vez tivesse parado. Em que mundo andaram e vivem estes escribas? A luta parou? Que o digam os trabalhadores nas empresas e locais de trabalho”, disse Raimundo, assegurando que “a luta não foi de férias”.

“Dizem que voltámos a ser um partido de protesto. Sim, é verdade, de nós não esperem outra coisa que não seja um firme e determinado combate à política de direita, à política de empobrecimento e de assalto à nossa soberania”, acrescentou, afirmando que o PCP trava um combate de “construção da alternativa e de soluções para o país”.

Paulo Raimundo assegurou que “o ambiente que se vive no partido é bom, de confiança, de grande vontade e de grande entrega” e pediu que se olhe para o PCP por aquilo que é e não por aquilo que dizem que é, como “o elemento de esperança e de futuro que é”, como “instrumento de luta e de construção do direito a uma vida digna”.

O secretário-geral do PCP deixou ainda uma palavra às “lutas mais que justas" que se travam no distrito de Santarém, em sectores como a agricultura, a saúde, a ferrovia ou o ambiente.

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