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“Não será fácil” o Chega criar uma estrutura sindical: “Não nasceu das ruas” e teria de “furar o corporativismo do movimento”

Partido diz que pondera criar “movimento sindical próprio” e que “a rua não é exclusivamente da esquerda”. Mas há várias pedras na engrenagem, defende investigador em Política Comparada ouvido pelo Expresso. A começar porque, ao contrário de vários dos seus partidos-irmãos na Europa, o Chega não conseguiu representação parlamentar pela “mobilização de base”, antes pelo “mediatismo e notoriedade do líder”
José Fernandes

Diogo Pacheco Amorim revelou ao Observador que o Chega está a ponderar criar um “movimento sindical próprio”. O objetivo seria “garantir uma posição do partido entre as várias classes profissionais”, sublinhando o ideólogo e deputado do Chega que “a rua não é exclusivamente da esquerda”. “A luta na rua é fundamental. Sempre que for necessário, estaremos na rua com grandes, médias ou pequenas manifestações”, assegurou. Ainda para mais no contexto atual: “Uma maioria absoluta do PS limita muito a atividade parlamentar, portanto tem de haver outros palcos para a atividade política. A luta tem de ser simultaneamente na rua e no Parlamento.”

O Expresso falou com Hugo Ferrinho Lopes, investigador de doutoramento em Política Comparada no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa e investigador do Observatório da Qualidade da Democracia, também no ICS. O académico lembra que esta vontade do Chega não é “anormal” nem “inovadora”, até porque “não é a primeira vez” que o partido a expressa. Depois, “legalmente, um partido não pode criar outra entidade fora de si próprio, como é um movimento sindical”, acrescenta. O investigador aponta igualmente quatro motivos por que “não será fácil” para o Chega criar um movimento sindical.

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