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Política

Os verdadeiros (e os falsos) liberais. Um ensaio de Francisco Louçã

O liberalismo, como corrente política e como forma de poder, transformou-se numa fantasmagoria que se adaptou ao conservadorismo

Se descer a High Street da pequena cidade de Lewes, no sul de Inglaterra, dirigindo-se para a ponte sobre o rio Ouse, não deixará de notar a porta aberta de uma curiosa livraria que vem do século XV e, pouco depois, à direita, o hotel White Hart, com o seu pub. Aí se reunia o clube de discussão animado por Thomas Paine (1737-1809). Imagine-o há mais de 200 anos naquela pequena sala, com os seus companheiros, e terá um vislumbre de um dos lugares mais importantes da efervescência das ideias liberais nas vésperas de grandes revoluções que definiriam a nossa época, nas colónias norte-americanas e depois em França.

Paine foi uma figura monumental do ascenso do liberalismo político e filosófico daquele tempo, que combinava a aspiração republicana contra a monarquia absoluta com a defesa da tolerância religiosa e da livre atividade económica, destruindo as amarras feudais. Mas foram raros os liberais que não abandonaram nos anos seguintes algumas dessas ideias fundadoras, sendo outros engolidos pela força abissal dos poderes reinantes, o que os levaria a repetir as suas formas tirânicas.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.