Política

UGT ameaça ir para a rua: "Estamos fartos deste faz de conta"

Carlos Silva, da UGT
HUGO DELGADO

Depois de uma reunião do Secretariado Nacional, o líder da UGT assumiu estar disponível para "ações mais musculadas", porque "o Governo nos tem empurrado para ações na rua e, eventualmente, greves". Carlos Silva assume "desconforto" pelo comportamento do Governo. "Os trabalhadores merecem mais", diz.

"As coisas como estão, não estão bem", diz Carlos Silva. O líder da UGT divulgou um video, através do You Tube, em que dá conta da "insatisfação que existe na generalidade do País e em todos os setores de atividade" e avisa o Governo de que a central sindical está disponível para "ações mais musculadas e de convergência com o restante movimento sindical".

Foi no final da reunião do Secretariado Nacional da UGT, realizada esta terça-feira, que Carlos Silva aproveitou para apresentar, em video, as conclusões da reunião. Confrontados "com uma onda de despedimentos", nomeadamente o anúncio da dispensa de 3 mil trabalhadores do setor bancário e de três centenas de funcionários da Altice, o líder sindical assume a "grande insatisfação" que existe no País e aponta o dedo ao Governo de António Costa.

"O Governo não responde à Concertação Social" e o diálogo entre os parceiros sociais decorre em "reuniões de faz de conta", diz Carlos Silva. O sindicalista assume ainda a "estranheza" de ver matérias laborais discutidas no Parlamento "por iniciativa do PCP e Bloco de Esquerda e à margem dos principais atores, que são os parceiros sociais". "O que é que o Governo do PS quer com isto?", pergunta o líder da UGT, criticando ainda o facto de "a única coisa que vemos na Concertação Social são as entidades empregadoras a pedirem dinheiro ao Governo" e "os trabalhadores é que pagam as favas".

"Estamos cansados e estamos fartos", diz ainda Carlos Silva que não tem dúvidas em dirigir toda a nota de culpa ao Executivo. "O Governo dá ensinamentos de más práticas laborais: não promove o diálogo social, nem a contratação coletiva", prossegue o sindicalista para quem "as coisas não estão bem e é o Governo o primeiro responsável por garantir a paz social".

O cansaço da direção da UGT está mesmo a conduzir a uma estratégia "que foge ao nosso esteio habitual de negociar à mesa de negociações". A ideia de fazer "ações mais musculadas" que podem mesmo incluir greves ou a convergência com protestos organizados pela CGTP não fica descartada. "Está tudo neste momento em cima da mesa enquanto formas de luta", garante Carlos Silva. Se nada mudar a conclusão retirada pela UGT é simples: "se é isto que querem, faremos a vontade ao Governo e vamos para a rua".