Política

Três anos de liderança de Rui Rio: “O estilo do PSD não é ir gritar para junto das ambulâncias”

TIAGO PETINGA/LUSA

O líder social-democrata defende que, para fazer oposição, “as críticas têm de ser racionais” e que “é do interesse nacional” votar favoravelmente os estados de emergência. Sobre as autárquicas, Rio volta a sublinhar que deviam ser adiadas e que não o fazer só “beneficia quem está no poder”

18-02-2021

Aos três anos de liderança do PSD, Rui Rio faz um balanço dos últimos tempos, das decisões tomadas desde que começou a pandemia e das perspetivas para um futuro que traz consigo umas eleições autárquicas. Ao "Diário de Notícias", o líder dos sociais-democratas assumiu que "o estilo do PSD não é ir gritar para junto das ambulâncias". "As críticas têm de ser racionais", acrescentou.

Rio reconhece que nos primeiros meses da pandemia não existiu oposição: "E podia ter apontado os erros que o Governo cometeu. Mas nenhum de nós, com honestidade, estávamos preparados para gerir a pandemia". A este propósito, Rui Rio diz também que "é do interesse nacional" votar favoravelmente, ao lado do Governo, os estados de emergência.

O próximo desafio são as autárquicas e, sobre este assunto, o líder volta a trazer para o discurso o adiamento da ida às urnas. Para Rui Rio, do ponto de vista democrático, manter as datas das eleições autárquicas "beneficia quem está no poder", seja um partido de esquerda ou de direita.

Rui Rio continua a não abrir o jogo sobre os candidatos e prefere dizer, novamente, que tem "na cabeça" vários nomes, "cada um com o seu valor". No entanto, para as principais câmaras, admite que "não se dá um pontapé na pedra e encontra-se um candidato de qualidade".

No encerramento de uma conferência de formação autárquica organizada pelo partido, difundidas nas redes e citada pela Lusa, Rio disse que "mais importante do que o número de deputados que se elegem, é o número de dirigentes de junta de freguesia, membros de assembleia municipal e membros de câmaras municipais, vereadores e presidentes de câmara", argumentando que "quanto mais pessoas o PSD tiver eleitas no terreno a fazer política local, mais forte é".

"Pode depois ganhar mais alguns deputados ou perder alguns deputados, o PSD está garantido porque está no território", explicou, sublinhando que, "quando perde nas autarquias, como perdeu em 2013 e 2017, e já em 2009 tinha perdido um bocadinho, pouco, obviamente que o assunto é sério".

As eleições de 2017 deram, aliás, o pior resultado autárquico de sempre ao PSD e resultaram na demissão do então presidente Pedro Passos Coelho. Na altura, o partido perdeu oito câmaras em relação a 2013 e viu o PS reforçar a liderança autárquica, com 161 câmaras por todo o país (mais 11 que em 2013), 159 sozinho e duas em coligação.

No final de janeiro, os presidentes do PSD e do CDS-PP anunciaram que irão assinar um acordo-quadro para as autárquicas que exclui a possibilidade de coligações com o Chega.