Política

Moção de confiança na liderança do CDS será decidida por voto secreto

Rui Duarte Silva

Adolfo Mesquita Nunes defendeu que o Conselho Nacional devia acatar o parecer do Conselho Nacional de Jurisdição, emitido na sexta-feira, que estabeleceu que "a votação de moções de confiança à Comissão Política Nacional deve ser realizada por escrutínio secreto"

06-02-2021

O antigo vice-presidente do CDS-PP Adolfo Mesquita Nunes abandonou a reunião do Conselho Nacional que decorre neste sábado e que votará uma moção de confiança à direção, acusando o presidente da mesa de tomar uma decisão "ilegal e cobarde".

Mais tarde, o antigo secretário de Estado do Turismo decidiu regressar aos trabalhos. Através de um 'post' publicado no Twitter, Mesquita Nunes referiu: "Saí dos trabalhos porque não pactuo com uma ilegalidade; volto porque a legalidade, depois de tanta pressão, prevaleceu". A decisão final foi a de que a votação da moção de confiança à direção do CDS será feita por voto secreto.

O presidente do Conselho Nacional, Filipe Anacoreta Correia, pôs à consideração dos membros a decisão sobre o modo como será votada a moção de confiança à comissão política nacional, apresentada pelo líder do partido.

Adolfo Mesquita Nunes, que propôs a realização de um congresso eletivo antecipado, não concordou com esta decisão e anunciou que iria abandonar a reunião.

O antigo dirigente defendeu que o Conselho Nacional devia acatar o parecer do Conselho Nacional de Jurisdição, emitido na sexta-feira, que estabeleceu que "a votação de moções de confiança à Comissão Política Nacional deve ser realizada por escrutínio secreto".

Considerando que a decisão de Anacoreta Correia é "ilegal, é cobarde", Mesquita Nunes frisou que não queria "participar num Conselho Nacional que viola os estatutos" e indicou que abandonou os trabalhos "por questões de ilegalidade e questões de legitimidade política".

"Há um parecer que é claro, do tribunal do partido, que fiz de forma vinculativa que o voto de uma moção de confiança é voto secreto", salientou, criticando o presidente do Conselho Nacional por não ter facultado nem lido o documento aos conselheiros.

"O senhor não gosta da decisão, eu lamento", comentou o antigo vice-presidente de Assunção Cristas, insistindo que "uma decisão do tribunal do partido é vinculativa" e advogando que os membros do órgão máximo do CDS entre congressos não podem "votar pelo não acatamento de uma decisão" do Conselho Nacional de Jurisdição.

Na sua intervenção, Adolfo Mesquita Nunes defendeu que "os estatutos [do partido] são claros e valem mais do que o regimento" e acusou Filipe Anacoreta Correia de agir "à margem da lei".

"O que o motiva é o medo", acrescentou, acusando a direção do CDS-PP de ter uma "confiança tão pífia que não aguenta um congresso" e de não querer "ouvir os militantes", estando a "entrincheirar-se até ao fim".

Em resposta, o presidente do Conselho Nacional recusou a acusação de "cobardia" e de ter "receio", defendendo que este órgão "decide como quiser" e que o próprio não está "a votos".

Cerca de 250 membros do Conselho Nacional do CDS-PP estão reunidos desde as 12h10, por videoconferência, para discutir e votar uma moção de confiança à Comissão Política Nacional apresentada pelo líder, Francisco Rodrigues dos Santos, depois de o antigo vice-presidente Adolfo Mesquita Nunes ter proposto a realização de um congresso eletivo antecipado e ter anunciado que será candidato à liderança caso essa reunião magna aconteça.

Os trabalhos arrancaram à porta fechada, mas foram abertos aos jornalistas a partir das 15h45, após decisão do Conselho Nacional.

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