O ministro cipriota dos Negócios Estrangeiros considera que a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE) terá sucesso pelo facto de Portugal ser um país de média dimensão que pode afirmar-se como “um mediador honesto” e sem possuir “uma agenda oculta”. “Acreditamos que Portugal pode ter uma presidência muito bem-sucedida. Não apenas tendo em consideração a experiência das anteriores presidências portuguesas, mas [também] porque Portugal é um Estado-membro da UE de pequena-média dimensão e pode assumir a função de um mediador honesto [que] não possui uma agenda oculta”, referiu Nikos Christodoulides, em entrevista à agência Lusa.
Em termos de prioridades, o ministro cipriota definiu como principais objetivos da presidência portuguesa o combate à pandemia do novo coronavírus e as medidas para enfrentar as consequências sociais e económicas da pandemia. “Nestes tempos de desafios, o principal objetivo da presidência portuguesa será a forma de combater o coronavírus, mas também a forma de enfrentar as consequências sociais e económicas da pandemia. É um grande desafio para a UE e acredito que a presidência portuguesa será bem-sucedida nestas áreas”, assinalou.
“É o momento para a UE intervir e demonstrar a sua liderança”
Christodoulides frisou que, em plena presidência portuguesa da UE, a pandemia irá revelar “sérios problemas económicos e sociais” em todos os Estados-membros. “É o momento para a UE intervir e demonstrar a sua liderança não apenas na abordagem da pandemia, mas também face a todos os problemas económicos e sociais”, insistiu.
Perante a atual situação, em que o surto pandémico continua sem controlo, o chefe da diplomacia de Nicósia indicou que outro dos objetivos prioritários da presidência portuguesa consiste na “conclusão do plano [de recuperação e resiliência] para que os Estados-membros garantam o financiamento necessário para enfrentar as consequências económicas e sociais da pandemia”.
O governante manteve esta quarta-feira, em Lisboa, conversações com o seu homólogo português, Augusto Santos Silva, numa altura em que Portugal assume a presidência semestral do Conselho da UE.
Numa referência à situação em Chipre motivada pela pandemia de covid-19, o ministro considerou o atual cenário “muito desafiante” e revelou que na próxima sexta-feira o Conselho de Ministros do seu país “anunciará novas medidas que vão limitar muitas atividades da população para enfrentar estes tempos de grandes desafios”.
“Estamos na segunda vaga, como tem sido afirmado, já foram iniciadas as vacinas, vai levar algum tempo, mas até ao momento a situação é muito dura. O turismo foi seriamente afetado com uma redução de 91% na última estação turística devido à pandemia, o que implica grandes desafios para a nossa economia. Mas, de momento, a nossa prioridade é a saúde da população”, salientou.