Política

Catarina Martins recusa intransigência e garante: "O BE não quer nenhuma crise política"

26-10-2020

Catarina Martins
ANTÓNIO COTRIM

Dirigente bloquista diz que o partido não pode aceitar que em 2021 o SNS esteja "mais frágil" e que haja menos proteção social

Catarina Martins recusa que o Bloco tenha tido uma posição intransigente nas negociações com o Governo, reafirmando que o partido não pode aprovar um Orçamento do Estado que não responde às necessidades do país.

"Estamos a atravessar um período muito difícil, mas quando atravessamos um período muito difícil o pior que podemos fazer é colocar a cabeça na areia e não nos perguntarmos se as soluções que estamos a construir servem o país ou não", afirmou a coordenadora do BE em entrevista à TVI um dia depois de o partido anunciar que vai chumbar o Orçamento do Estado para 2021.

Garantindo que o Bloco não quer uma crise política, Catarina Martins salienta que "quem decidiu votar no BE não votou no PS" pelo que o seu partido não pode aceitar que em 2021 o SNS esteja "mais frágil" e que haja menos proteção social. "Claro que o BE não quer nenhuma crise política, mas o PM já disse e eu acompanho - não é o Orçamento que determina se há ou não crise política", observou.

Entre as principais críticas, a dirigente bloquista acusa o Orçamento do Estado para o próximo ano de não apostar no reforço do SNS já previsto no Orçamento anterior, considerando que é essencial garantir em primeiro lugar que o SNS tem capacidade para responder à covid-19, mas também a outras patologias.

E nega que existam divergências em relação aos números apresentados pelo Governo, lamentando que o Governo não reconheça no Orçamento o "trabalho extraordinário" feito pelos profissionais de Saúde, que continuam a somar horas extraordinárias devido à pandemia.

Em segundo lugar, Catarina Martins insiste que é fundamental garantir apoio às vítimas da atual crise causada pela covid-19 e que a prestação social anunciada pelo Executivo não será suficiente para ajudar todos. Tão ou mais importante para a dirigente bloquista é que o Governo tivesse recuado nas normas laborais do período da troika que facilitam despedimentos e salários baixos.

"Como é que se compreende que o PS não aceite medidas tão pequenas e fundamentais como acabar com o despedimento barato quando o próprio PS era contra na troika?", questionou.

Por último, Catarina Martins disse que o Bloco não dá o processo negocial com o Governo como encerrado, comprometendo-se a insistir com as mesmas medidas que têm vindo a ser defendidas pelo partido agora em sede da especialidade.

"É melhor clareza mais cedo do que mais tarde. O BE vai apresentar na especialidade nem mais nem menos, vai apresentar o mesmo que tem apresentado agora", reforçou.

Questionada sobre o plano para a TAP, Catarina Marins admitiu estar "muito preocupada" com o futuro da transportadora aérea e que está em causa uma "inconsistência política", uma vez que se prevê despedir 1600 trabalhadores da aviação civil e, ao mesmo tempo, manter-se o projeto do aeroporto do Montijo. "É preciso uma visão para o sector dos transportes e para os trabalhadores dos transportes. É preciso que Portugal tenha uma estratégia para o dia seguinte", sustentou.