Política

Marcelo quer “reflexão geral” sobre pandemia e reforça apelo: “Este esforço é muito importante. Estamos todos no mesmo barco”

Marcelo Rebelo de Sousa
ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Confrontado sobre a proposta da coordenadora do BE de se criar um conselho científico para responder à pandemia, o Presidente da República defendeu que há várias instituições "importantes" no país que devem ser ouvidas, nomeadamente na área da Saúde Pública justificando os encontros que arrancam esta segunda-feira em Belém

19-10-2020

O Presidente da República recusa adiantar se o encontro que terá esta segunda-feira com a ministra da Saúde, Marta Temido, servirá para discutir uma nova declaração do Estado de Emergência e insiste que quer ouvir a opinião de vários sectores sobre a atual situação da pandemia.

"Tem a ver com uma reflexão em geral sobre a situação vivida e também acerca do modo como responsáveis, ex-responsáveis, instituições ligadas à Saúde, à economia e sociedade veem o momento que estamos a viver e a forma como vamos ter de enfrentar em conjunto este momento nas circunstâncias que vierem a suscitar-se no futuro, que são largamente imprevisíveis", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa à margem de uma visita à unidade de saúde familiar das Descobertas, em Belém, onde arrancou a segunda fase da vacinação contra a gripe.

De acordo com o chefe de Estado, que quis dar o "exemplo" ao vacinar-se esta segunda-feira contra a gripe naquela unidade de saúde, todos os cidadãos através da vacina ou de outros comportamentos preventivos no âmbito da pandemia devem contribuir para o combate à covid-19. Mas cabe sobretudo aos "responsáveis" de vários sectores discutirem as consequências e soluções da pandemia. "É muito importante ouvir todos. Quanto mais, melhor, porque há, obviamente, consequências na vida e na saúde, mas também no emprego, mas também nos rendimentos, mas também na vida do dia-a-dia das pessoas. Este esforço é muito importante, pois todos temos noção de que estamos no mesmo barco e o que corre bem para uns corre bem para outros. Esta é daquelas matérias, que ao contrário de outras, quem ganha são todos", reforçou.

Discutir evolução e medidas

Confrontado sobre a proposta da coordenadora do BE de se criar um conselho científico para responder à pandemia, Marcelo defendeu que há várias instituições importantes no país, nomeadamente na área da Saúde Pública que devem ser consultadas, justificando os encontros que tem previstos para esta semana.

"Chamo a atenção que em sistemas de governação diferentes do nosso há, por exemplo, junto do Presidente da República órgãos alargados de consulta em sistemas mais presidencialistas que não têm impedido mudanças consecutivas de orientação e ajustamento de medidas, à medida que o processos epidémico tem evoluído", acrescentou Marcelo apontando para o exemplo de França.

O Presidente da República frisou que Emmanuel Macron ouve com frequência vários especialistas e "já infletiu várias vezes" a política de resposta à pandemia, devido à evolução inesperada da covid-19 no país.

Stock de vacinas garantido

Em jeito de apelo, o chefe de Estado disse ainda esperar que os maiores de 65 anos se vacinem contra a gripe o mais rapidamente possível "de acordo com as suas disponibilidades e as disponibilidades do sistema de saúde", garantindo que não haverá falta de vacinas.

"E aquilo que me foi dito, e a senhora ministra acaba de confirmar, é que até à primeira semana de dezembro, a partir deste momento, de pouco mais de meados de outubro, e durante o mês de novembro, progressivamente, todos os que queiram vacinar-se irão vacinar-se - ou em estruturas como esta, ou nas juntas de freguesia, ou em farmácias comunitárias", rematou.