O presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, defendeu esta quinta-feira que o processo de atribuição de apoios na sequência dos incêndios ocorridos em 2017 foi "justo e "transparente".No entanto, admitiu algumas dificuldades no processo face ao contexto inédito da situação.
"Justo foi, transparente penso que também foi. E numa situação daquelas de apocalipse, nem tragédia foi, é muito difícil. Apareciam voluntários de todo o lado, pessoas a pedir bens, que não sabíamos de onde vinham. Mas nunca deixaram de ser servidos", afirmou Valdemar Alves aos deputados no Parlamento.
Durante a sua audição na comissão eventual de inquérito à atuação do Estado na atribuição de apoios na sequência dos incêndios de 2017, o autarca negou ainda ter conhecimento da atribuição indevida de apoios públicos a empresas. "Não tenho conhecimento. Penso que tudo tem decorrido dentro da normalidade e dentro do que a lei exige. As nossas verbas foram depositadas no banco e saíram do banco intactas, sem serem gastas do fundo para o Fundo Revita", afirmou, em resposta a uma questão da deputada do BE Fabíola Cardoso.
De acordo com o autarca, foram canalizados mais de 20 milhões a 27 empresas que foram afetadas pelos fogos no concelho, nomeadamente empresas do sector florestal, panificação, serração, construção civil, produção de azeite e transportes rodoviários.
Confrontado sobre a nomeação do seu filho Telmo Alves para seu adjunto da câmara de Pedrógão Grande e posteriormente coordenador do Gabinete Operacional de Recuperação e Reconstrução, o autarca assegurou que "não houve despachos contraditórios", nem "coisas secretas".
Questionado sobre a lei do regime de exercício de funções dos titulares de cargos políticos e alegada incompatibilidade em nomear o filho para o cargo, Valdemar Alves alegou que a lei foi posterior. "Quando o nomeei em 2014 penso que podia. Tive que me socorrer de alguém da minha confiança para trabalhar comigo, uma vez que Pedrógão tem poucos licenciados", justificou.
Valdemar Alves acusou ainda o Governo de ter falhado com promessas quanto a investimentos que prometiam contribuir para o desenvolvimento económico da região. "É muito difícil dizer quem falhou, mas posso dizer que foram membros do Governo, não posso dizer se foi A, B, C, porque foram lá todos. É a promessa do interior que está por cumprir ", insistiu.
O presidente da Câmara de Pedrógão Grande é acusado de vários crimes no processo de reconstrução das casas, cujo julgamento começa no próximo dia 26 de outubro. Na quarta-feira, a PGR anunciou também que foi instaurado um inquérito criminal contra Valdemar Alves sobre as responsabilidades no incêndios de 2017.