Política

Autarca de Pedrógão diz que processo de atribuição de apoios foi “justo” e “transparente”

O presidente da câmara municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, à saída do Tribunal de Instrução Criminal de Leiria a 11 de março de 2019
RUI MIGUEL PEDROSA/ Lusa

Valdemar Alves, acusado de vários crimes no processo de reconstrução das casas em Pedrógão Grande, garante que todos os cidadãos que pediram ajuda na sequência dos incêndios de 2017 “não deixaram de ser servidos”. Mas admite dificuldades no processo. “Numa situação daquelas de apocalipse, nem tragédia foi, é muito difícil. Apareciam voluntários de todo o lado, pessoas a pedir bens, que não sabíamos de onde vinham”, afirmou o autarca no Parlamento

24-09-2020

O presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, defendeu esta quinta-feira que o processo de atribuição de apoios na sequência dos incêndios ocorridos em 2017 foi "justo e "transparente".No entanto, admitiu algumas dificuldades no processo face ao contexto inédito da situação.

"Justo foi, transparente penso que também foi. E numa situação daquelas de apocalipse, nem tragédia foi, é muito difícil. Apareciam voluntários de todo o lado, pessoas a pedir bens, que não sabíamos de onde vinham. Mas nunca deixaram de ser servidos", afirmou Valdemar Alves aos deputados no Parlamento.

Durante a sua audição na comissão eventual de inquérito à atuação do Estado na atribuição de apoios na sequência dos incêndios de 2017, o autarca negou ainda ter conhecimento da atribuição indevida de apoios públicos a empresas. "Não tenho conhecimento. Penso que tudo tem decorrido dentro da normalidade e dentro do que a lei exige. As nossas verbas foram depositadas no banco e saíram do banco intactas, sem serem gastas do fundo para o Fundo Revita", afirmou, em resposta a uma questão da deputada do BE Fabíola Cardoso.

De acordo com o autarca, foram canalizados mais de 20 milhões a 27 empresas que foram afetadas pelos fogos no concelho, nomeadamente empresas do sector florestal, panificação, serração, construção civil, produção de azeite e transportes rodoviários.

Confrontado sobre a nomeação do seu filho Telmo Alves para seu adjunto da câmara de Pedrógão Grande e posteriormente coordenador do Gabinete Operacional de Recuperação e Reconstrução, o autarca assegurou que "não houve despachos contraditórios", nem "coisas secretas".

Questionado sobre a lei do regime de exercício de funções dos titulares de cargos políticos e alegada incompatibilidade em nomear o filho para o cargo, Valdemar Alves alegou que a lei foi posterior. "Quando o nomeei em 2014 penso que podia. Tive que me socorrer de alguém da minha confiança para trabalhar comigo, uma vez que Pedrógão tem poucos licenciados", justificou.

Valdemar Alves acusou ainda o Governo de ter falhado com promessas quanto a investimentos que prometiam contribuir para o desenvolvimento económico da região. "É muito difícil dizer quem falhou, mas posso dizer que foram membros do Governo, não posso dizer se foi A, B, C, porque foram lá todos. É a promessa do interior que está por cumprir ", insistiu.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande é acusado de vários crimes no processo de reconstrução das casas, cujo julgamento começa no próximo dia 26 de outubro. Na quarta-feira, a PGR anunciou também que foi instaurado um inquérito criminal contra Valdemar Alves sobre as responsabilidades no incêndios de 2017.