Três anos após a tragédia dos incêndios no centro do país, Marcelo Rebelo de Sousa marcou presença esta quarta-feira numa cerimónia de homenagem às vítimas em Figueiró dos Vinhos. Em jeito de balanço, o Presidente da República admitiu que há ainda "mais a fazer" pela coesão territorial e defendeu que a tragédia de 2017 correspondeu a uma "lição" para os portugueses sobre as assimetrias regionais.
"Todos desejaríamos que o desenvolvimento económico e social aparecesse mais rápido e mais pujante. Isso nem sempre aconteceu apesar dos esforços feitos e portanto temos que reconhecer que há muito mais a fazer, aqui em Portugal, pela coesão territorial", declarou o chefe de Estado à saída da missa que decorreu no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Figueiró dos Vinhos.
Segundo Marcelo, os fogos que atingiram Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera chamaram a atenção" para tantos portugueses que vivem longe e passaram a perceber e a entender um pouco melhor as desigualdades, as assimetrias, a situação tão discriminada, em termos económicos e sociais, de parcelas do território nacional".
No entanto, o Presidente reconhece que o processo do ordenamento de território também é lento, face aos condicionamentos económicos e sociais. "Houve mudança de legislação, houve medidas tomadas, o problema é o terreno. E o terreno é feito com pessoas de carne e osso, com realidades económicas e sociais. Pessoas e famílias que não têm meios para poderem agir em muitos casos, os condicionamentos económicos e sociais que acabaram por tornar difícil a aplicação dessas medidas. Tudo tem a ver com um problema que eu disse, que é o desenvolvimento económico e social", observou.
Após a cerimónia religiosa em Figueiró dos Vinhos, Marcelo foi visitar o bombeiro Rui Rosinha, ferido durante o combate aos incêndios, à sua casa em Castanheira de Pera, assim como o quartel dos bombeiros em Pedrógão Grande, tendo manifestado preocupação com a possibilidade de a epidemia atingir o dispositivo de combate aos fogos no verão.
"Esperemos que a epidemia vá progressivamente baixando a sua intensidade, isso liberta mais áreas da Proteção Civil, nomeadamente bombeiros. Portanto, o ideal é que não tenhamos duas frentes em pleno, ao mesmo tempo", frisou o chefe de Estado, frisando que seria muito difícil responder a dois desafios "muito difíceis" ao mesmo tempo e que espera que este verão seja "muito diferente" do de 2017.
Na última paragem pela Associação das Vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, Marcelo destacou o "papel nuclear" do organismo que nasceu com o objetivo de representar os familiares das vítimas e que se converteu num "ponto de encontro cultural", que não "ficou preso ao passado", com utilidade para os jovens no futuro.