Política

Marcelo diz que incêndios de 2017 foram uma “lição de coesão territorial”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e pelo presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, no final da missa em homenagem às vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, no Convento da Senhora do Carmo, em Figueiró dos Vinhos
PAULO NOVAIS

Num périplo pelos três concelhos mais afetados pelos incêndios de há três anos, o Presidente da República admite que há ainda “mais a fazer pela coesão territorial, mas sublinha que a tragédia de alertou pelo menos os portugueses para as desigualdades e assimetrias no país

17-06-2020

Três anos após a tragédia dos incêndios no centro do país, Marcelo Rebelo de Sousa marcou presença esta quarta-feira numa cerimónia de homenagem às vítimas em Figueiró dos Vinhos. Em jeito de balanço, o Presidente da República admitiu que há ainda "mais a fazer" pela coesão territorial e defendeu que a tragédia de 2017 correspondeu a uma "lição" para os portugueses sobre as assimetrias regionais.

"Todos desejaríamos que o desenvolvimento económico e social aparecesse mais rápido e mais pujante. Isso nem sempre aconteceu apesar dos esforços feitos e portanto temos que reconhecer que há muito mais a fazer, aqui em Portugal, pela coesão territorial", declarou o chefe de Estado à saída da missa que decorreu no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Figueiró dos Vinhos.

Segundo Marcelo, os fogos que atingiram Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera chamaram a atenção" para tantos portugueses que vivem longe e passaram a perceber e a entender um pouco melhor as desigualdades, as assimetrias, a situação tão discriminada, em termos económicos e sociais, de parcelas do território nacional".

No entanto, o Presidente reconhece que o processo do ordenamento de território também é lento, face aos condicionamentos económicos e sociais. "Houve mudança de legislação, houve medidas tomadas, o problema é o terreno. E o terreno é feito com pessoas de carne e osso, com realidades económicas e sociais. Pessoas e famílias que não têm meios para poderem agir em muitos casos, os condicionamentos económicos e sociais que acabaram por tornar difícil a aplicação dessas medidas. Tudo tem a ver com um problema que eu disse, que é o desenvolvimento económico e social", observou.

Após a cerimónia religiosa em Figueiró dos Vinhos, Marcelo foi visitar o bombeiro Rui Rosinha, ferido durante o combate aos incêndios, à sua casa em Castanheira de Pera, assim como o quartel dos bombeiros em Pedrógão Grande, tendo manifestado preocupação com a possibilidade de a epidemia atingir o dispositivo de combate aos fogos no verão.

"Esperemos que a epidemia vá progressivamente baixando a sua intensidade, isso liberta mais áreas da Proteção Civil, nomeadamente bombeiros. Portanto, o ideal é que não tenhamos duas frentes em pleno, ao mesmo tempo", frisou o chefe de Estado, frisando que seria muito difícil responder a dois desafios "muito difíceis" ao mesmo tempo e que espera que este verão seja "muito diferente" do de 2017.

Na última paragem pela Associação das Vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, Marcelo destacou o "papel nuclear" do organismo que nasceu com o objetivo de representar os familiares das vítimas e que se converteu num "ponto de encontro cultural", que não "ficou preso ao passado", com utilidade para os jovens no futuro.