Opinião

História, cultura e Forças Armadas

Um artigo do Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal sobre a celebração das grandes datas nacionais

José Ribeiro e Castro

A celebração de datas nacionais é uma das missões da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, com sede no Palácio da Independência. Não é só o 1° de Dezembro, marco nacional por que somos mais conhecidos desde 1861. Alarga-se a outras datas, cujo elenco procuramos tornar mais conhecidas e incorporar nas rotinas do nosso relacionamento público. As Forças Armadas são parte essencial desta aliança.

Como grande instituição nacional, a vibração cultural por Portugal faz parte da sua própria identidade. Destacam-se nas grandes celebrações nacionais. No 1° de Dezembro, realçam o momento mais solene: a homenagem aos Heróis da Restauração. Nos últimos anos, temos ampliado esta colaboração, através das excelentes bandas militares. Em 2012, por iniciativa do Movimento 1° de Dezembro e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da EGEAC, iniciou-se o espetacular Desfile Nacional de Bandas Filarmónicas 1° de Dezembro. Desde 2014, uma banda militar passou a liderá-lo todos os anos, transmitindo o seu brilho e carisma.

As bandas dos três ramos já participaram, rotativamente, mais de uma vez. Em 2022, estreará a Banda Sinfónica da GNR. Outra linha de ação cultural e histórica está a conhecer concretização, graças ao apoio dos Chefes de Estado-Maior dos ramos e respetivos organismos histórico-culturais. Trata-se de uma nova linha de concertos anuais evocativos. O modelo estreou com a Banda da Armada, no Concerto do 1° de Dezembro, ou Concerto de Portugal, da Restauração e da Independência Nacional. Tem tido grande sucesso no plano musical e no gosto do público. A dificuldade maior é estabilizar o local, o que afeta a atempada programação. Já se realizou no CCB (Grande Auditório), no Teatro da Trindade e no Capitólio.

Trabalhamos para o estabilizar num dos teatros da Baixa-Chiado, possivelmente o São Luiz. Já neste domingo, 14 de agosto, estreia o Concerto do Condestável, a encerrar as comemorações da Batalha de Aljubarrota. Realizar-se-á no cenário magnífico das Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, pela Banda Sinfónica do Exército, que preparou excelente programa. A partir de uma ideia nossa, tudo se deve à receptividade e capacidade de organização do Município da Batalha, do Exército Português e sua banda e do Mosteiro da Batalha, além do apoio da Fundação Batalha de Aljubarrota. E trabalhamos para inaugurar, a partir de 30 de março próximo, o Concerto do Atlântico pela Banda de Música da Força Aérea, celebrando Gago Coutinho e Sacadura Cabral e a 1.ª Travessia Aérea do Atlântico Sul, no dia da sua partida em 1922. Será o prolongamento simbólico do Centenário e forma de gravar na memória colectiva o grande feito português e da nossa aviação.

O modelo dos concertos é comum: concerto sinfónico de uma hora sem intervalo, em horário de fim de tarde ou princípio da noite, com peças de compositores portugueses e um final habitual. Além do hino nacional, que encerra, termina com uma peça da respetiva escolha, que repete todos os anos, como no famoso Concerto de Ano Novo, em Viena. O propósito é conseguir, ano após ano, forte adesão do público no momento final. Com as Forças Armadas, celebramos a História pela cultura musical. Nada se faz sem imaginação.

*Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal