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Opinião

“Crise energética”, é como chamaremos à política na próxima década

Estamos a viver a 1ª crise energética da transição. Não é apenas gasolina, gás e eletricidade, mas as principais matérias-primas e bens de consumo cujos baixos preços compensavam a estagnação salarial. Os custos deste gigantesco choque inflacionário, resultado da crise energética, é o tema político dos próximos anos. Se a transição energética for feita à custa dos mais vulneráveis, ela ajudará a eleger aqueles que lhe irão pôr fim

25-10-2021

Lembra-se das janelas engalanadas com a promessa que ia ficar tudo bem, mantendo a esperança individual num momento de crise profunda? Com elas, veio a doce ilusão de que um dos resultados da pandemia seria a melhoria do ambiente. Íamos depender menos dos combustíveis fósseis, seja por via do teletrabalho ou de novos hábitos de vida, dizia-se. Um ano depois, a realidade desconfinou com estrondo. E em pior do que antes. A transição energética é muito mais lenta do que os custos sociais e económicos que estamos dispostos a pagar por ela.