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Opinião

Inge Ginsberg

1922-2021 Autora e cantora nascida em Viena, na Áustria. Durante a Segunda Guerra Mundial, altura em que vivia na Suíça, envolveu-se no movimento de resistência italiana

Só há dias se soube do seu passamento, de passado Julho, mas ainda em tempo, e nunca se poderia falhar aqui breve nota, que desde logo confessa estar muito aquém do tanto que houve nesta estentórica existência, começada em Viena há 99 anos, no seio de uma família judia e rica, enraizada há mais de oito centúrias por aquelas bandas, na zona do mosteiro de Melk, Baixa Áustria, margem direita do Danúbio. Com o Anschluss, o genitor foi levado para Dachau em 1938, mas, no ano seguinte, graças a subornos, embarcou no “St. Louis”, navio que teve odisseia miserável ante as sucessivas recusas dos governos de Cuba, dos EUA e do Canadá a que ele acostasse aos seus portos, com isso obrigando a um retorno à Europa ocupada, uma mancha negra na negra história da Segunda Guerra, tristemente repetida logo em 1947 com o “Exodus”. Dos 937 passageiros do “St. Louis”, 30% acabaram por ser chacinados no Holocausto e, naturalmente, a família de Fritz Neufeld temeu que também ele tivesse falecido à força. Só o reencontraram depois da guerra, vivo e de saúde, em Inglaterra.