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Opinião

Quão dispensáveis são as eleições?

Na Ásia, na Europa, nas Américas, o direito de voto é um parêntesis. Mas talvez seja nos EUA que se concentram agora algumas das ameaças aos direitos democráticos que podem ter mais consequências

Em Myanmar, os generais derrubaram o Governo de Aung San Suu Kyi, que por sua vez não tinha hesitado em permitir ou incentivar a perseguição e chacina da minoria rohingya, procurando ganhar apoio popular com esse ódio étnico e religioso. Na Turquia, Erdogan, um senhor da NATO e líder de um Governo que é eterno candidato a entrar na União Europeia, prende opositores e jornalistas, demite professores e juízes e restringe a liberdade de informação. Na Geórgia, o partido dominante viola a lei com a naturalidade de quem manda. Na Hungria, festeja-se a criação de zonas “livres de LGBT”. Na Nicarágua, o Presidente Ortega e a sua mulher, vice-presidente, mandam prender os candidatos presidenciais que se lhes opõem, incluindo uma das dirigentes históricas da revolução que derrubou a ditadura somozista. Em El Salvador, o Presidente Nayib Bukele conduz um golpe para garantir o seu poder absoluto. No Brasil, um combalido Presidente Bolsonaro admite que as eleições do próximo ano podem não se realizar e multiplica os apelos e o envolvimento de chefias militares nas suas jogadas políticas. No Peru, o candidato eleito nas presidenciais é alvo de uma barragem de manobras para impedir a sua tomada de posse.