Legislativas 2019

"O PS sabe ao que vem". PCP fora de quaisquer acordos

09-10-2019

Miguel A. Lopes/Lusa

Comité central do PCP fecha a porta a qualquer entendimento formal com os socialistas. E passa a bola para António Costa quanto a ter, ou não, a oposição formal dos comunistas na próxima Legislatura.

"Tranquilo, com certeza, sairá", disse Jerónimo de Sousa sobre a maneira como, esta quarta-feira à tarde, António Costa deixará a sede nacional do PCP, depois do encontro para definir o próximo Governo. No final da reunião do comité central, o líder comunista deixou claro que os comunistas estão fora de qualquer acordo, "posição conjunta" ou entendimento formal com o PS. O mundo político mudou, a situação é "distinta" da que resultou das legislativas de há quatro anos e não haverá geringonça II para o PCP.

A direção comunista manifestou, porém, toda a "disponibilidade" para dialogar e até para, pontualmente, apoiar as iniciativas do PS. Mas remete para os socialistas a responsabilidade de promover esses acordos. "Será em função das opções do PS, dos instrumentos orçamentais que apresentar e do conteúdo do que legislar que o PCP determinará o seu posicionamento", diz o comunicado final do comité central.

Os comunistas insistem na ideia de que a "estabilidade" política está garantida pelo normal funcionamento do parlamento. "Não há quaquer problema de estabilidade colocada para além do que advir da ação política que o Governo tem de assegurar", diz Jerónimo. E sublinha o facto de que "o PS sabe ao que vem", tendo em conta os últimos quatro anos de Legislatura,.

"O PCP não faltará com a sua disponibilidade, iniciativa, determinação e independência políticas", sublinha o comité central. Mas isso não implica qualquer papel assinado, nem sobre o programa a executar pelo próximo Governo, nem tão pouco sobre os Orçamentos de Estado. "Nunca houve nenhum acordo, nem nenhum compromisso para além do 'exame conjunto' das propostas orçamentais", lembrou Jerónimo sobre a chamada geringonça.

Agora, com as negociações com o PS prestes a começar, o líder do PCP acha que nem uma "posição conjunta" é possível estabelecer entre os dois partidos. Mas, para que dúvidas não fiquem no ar, o comité central elencou já vários "objetivos imediatos": aumento geral dos salários (e SMN de 850 euros), combate à precaridade e revisão da lei laboral, aumento das pensões, creches gratuitas para as crianças até aos 3 anos, reforço do SNS, aumento do investimento público, nomeadamente nos transportes, mudança da política fiscal, reforço da administração pública e reforço dos apoios sociais.

Um longo caderno de encargos? "Não lhe chamaria condições mínimas", respondeu Jerónimo de Sousa ao Expresso, para logo assumir que "faremos desse conjunto de propostas bandeiras, dando, como sempre a nossa contribuição construtiva".