Legislativas 2019

Seguranças tiveram de afastar Costa de um homem que o acusava de estar de férias nos fogos

António Costa exaltou-se com um eleitor e tiveram de ser os seguranças a afastá-lo quando se dirigia, transtornado, contra esse cidadão. "Tive de reagir, há limites para tudo", explicou depois

04-10-2019

António Costa teve de ser travado, na tarde desta sexta-feira, pelos seguranças que o acompanham na campanha eleitoral, quando se virou contra um homem que o acusava de estar de férias aquando da tragédia dos fogos de Pedrógão Grande em 2017 (onde morreram 67 pessoas).

vídeo CM TV

A arruada que desceu do Chiado até à Praça do Comércio já estava a desmobilizar, sob as arcadas o edificio do Supremo Tribunal de Justiça, quando um homem idoso abriu caminho até ao líder do PS. Disse-lhe que era eleitor socialista de sempre, mas acrescentou que desta vez está "relutante" em votar PS, porque Costa estava em "merecidas férias" no momento mais crítico da tragédia dos fogos de 2017, em Pedrógão Grande.

"É mentira, é mentira", respondeu-lhe António Costa, num crescendo de exaltação, acabando quase aos gritos. "Não esteve presente", insistiu o cidadão. Mas Costa não o deixou prosseguir.

"Isso é mentira que o senhor está a dizer", insistiu Costa. O líder socialista fez tenções de virar as costas ao eleitor que o interpelava mas, subitamente, voltou a direcionar-se para ele com o rosto transtornado, como se o fosse agredir, repetindo: "O senhor é um mentiro! Um mentiroso!"

Foi nesse momento que os seguranças tiveram de intervir para o travar, ao mesmo tempo que Maria Begonha, líder da JS, tentava acalmar o líder socialista e Fernando Medina, ao lado de Costa, dizia "Calma, calma, vamos embora". Em simultâneo, a restante comitiva cerrou alas em trono do líder e o cidadão que o abordava foi afastado do centro dos acontecimentos.

"Um provocador que foi aqui plantado", diz Costa

"Era um provocador que foi aqui plantado", disse António Costa conforme se afastava do local, de rosto muito tenso, e acompanhado de perto pelos dois filhos e pela mulher, todos bastante abalados pelo incidente que se prolongou por poucos segundos. Muitas das pessoas que haviam acompanhado a arruada nem se deram conta do que se havia passado.

Esse momento acabou por marcar uma arruada com centenas de pessoas, desde o Largo do Chiado até à Praça do Comércio, que decorreu em clima de festa apesar de não ter bombos nem música, por causa da morte de Freitas do Amaral. Após a altercação, o rosto dos responsáveis da campanha socialista denotava preocupação sobre o impacto que este episódio de última hora possa ter no eleitorado.

"Campanhas negras do PSD e CDS", diz o líder socialista

Minutos depois, já na Estação de Santa Apolónia, onde apanhou um comboio para o Porto, António Costa explicou que a questão dos fogos é, para si, "muito sensível", e repetiu a acusação de que se tratou de um "provocador" a repetir um facto "absolutamennte falso".

"É uma mentira que a direita repetidamente tem vindo a lançar", acusou, falando em "campanhas negras em que o PSD e o CDS se tornaram especialistas". "É lamentável que a campanha tenha descido a este nível".

Costa admitiu que "devia ter reagido mais calmamente", mas "também tenho os meus limites". "Tive de reagir, há limites para tudo."

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