A leitura dos escândalos que abalam a América Latina por estes dias é simples e perversa: políticos usam o privilégio do poder para ficarem com vacinas que pertencem, por ordem de prioridade, ao pessoal da saúde e aos idosos. Assim os poderosos salvam as suas vidas e a dos seus parentes, mas retiram o escudo de proteção aos mais vulneráveis e a quem está na linha de frente do combate à pandemia.
No dia 19 de fevereiro o Presidente argentino, Alberto Fernández, demitiu o seu ministro da Saúde, Ginés González García, quando veio à tona um esquema de vacinas para os amigos do poder que incluía o uso da antessala anexa ao gabinete do ministro como sala de vacinação improvisada. Esta semana, face ao repúdio popular, o Governo divulgou uma lista de 70 beneficiados pelo esquema denominado “Vacinação VIP”. Poucos acreditam que os privilegiados sejam apenas os da lista.