Internacional

“Vacinação VIP” e “Vacinagate”: na América Latina os “amigos do poder” também passam à frente

Descarregamento de vacinas Sinopharm contra a covid-19 no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, a 25 de fevereiro de 2021
Juan Ignacio Roncoroni/EPA

Os governos de Argentina e Peru são sacudidos por casos sistémicos que podem envolver tráfico de influência, peculato, abusos de poder e corrupção no processo de vacinação. Foram privilegiados ministros, legisladores, empresários e amigos do poder em geral. A lista de escândalos inclui também o Chile e o Equador, ao passo que a Venezuela assume em público que beneficia os aliados do chavismo

26-02-2021

A leitura dos escândalos que abalam a América Latina por estes dias é simples e perversa: políticos usam o privilégio do poder para ficarem com vacinas que pertencem, por ordem de prioridade, ao pessoal da saúde e aos idosos. Assim os poderosos salvam as suas vidas e a dos seus parentes, mas retiram o escudo de proteção aos mais vulneráveis e a quem está na linha de frente do combate à pandemia.

No dia 19 de fevereiro o Presidente argentino, Alberto Fernández, demitiu o seu ministro da Saúde, Ginés González García, quando veio à tona um esquema de vacinas para os amigos do poder que incluía o uso da antessala anexa ao gabinete do ministro como sala de vacinação improvisada. Esta semana, face ao repúdio popular, o Governo divulgou uma lista de 70 beneficiados pelo esquema denominado “Vacinação VIP”. Poucos acreditam que os privilegiados sejam apenas os da lista.

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