O combate às alterações climáticas já não passa apenas pela drástica redução das emissões de carbono mas também pela adaptação. “Não há vacina contra as mudanças climáticas. Já só há preparação”, disse esta quarta-feira o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, na apresentação do novo plano europeu para fazer face à crise ambiental.
“Durante muito tempo, evitou-se de certa forma falar de adaptação porque, de certa forma, poderia parecer que se estava a admitir uma derrota face à crise climática. Agora percebemos claramente que temos de evitar o pior e prepararmo-nos para o inevitável”, explicou o responsável.
Timmermans deixou ainda claro que “mesmo que conseguíssemos eliminar todas as emissões de gases com efeito de estufa amanhã, iríamos, ainda assim, enfrentar os efeitos das nossas emissões passadas por várias décadas”. Só as condições climatéricas extremas já custam mais de 12 mil milhões de euros por ano às contas públicas do conjunto dos estados-membros. “Se falharmos na prevenção de uma subida de três graus nas temperaturas, as perdas poderão atingir os 170 mil milhões de euros por ano”, adiantou.
Há que trabalhar, portanto, em duas frentes em simultâneo: a de reduzir drasticamente a pegada ambiental e chegar à neutralidade das emissões de carbono até 2050 e, no entretanto, antecipar e preparar os inevitáveis efeitos nocivos que ainda se farão, inevitavelmente sentir.
“Temos de ser capazes de nos adaptar mais rapidamente, de partilhar informação e antecipar melhor futuros riscos, para que agricultores, famílias, indústrias e cidades conheçam melhor que problemas podem resultar das alterações climáticas para que se possam preparar previamente”, referiu o vice-presidente da Comissão Europeia. “A pandemia deixou claro quanto uma preparação insuficiente pode ser fatal”, admitiu Frans Timmermans.
Quanto à fatura dos efeitos das alterações climáticas, Timmermans disse que a maioria das perdas ainda recaem sobre famílias e negócios sem proteção seguradora e sobre os cofres públicos. O nível de proteção das seguradoras ainda é muito insuficiente, com apenas 35% das perdas a estarem, em média, cobertas.
Ainda que sem regulamentação prevista, Bruxelas quer trabalhar com as seguradoras para alterar este cenário e tornar mais equilibrada a partilha de riscos. E quer ainda que os próprios governos façam refletir de forma realista nos seus orçamentos as perdas que podem estar associadas aos efeitos das alterações climáticas.