Internacional

Parlamento Europeu votará levantamento da imunidade de Puigdemont em março

O exilado Puigdemont defende, de Waterloo, que a única via é o confronto com Espanha
NurPhoto/getty images

Comissao de Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu votou a favor do levantamento da imunidade de Carles Puigdemont e de dois outros eurodeputados independentistas catalães. O caso será submetido à sessão plenária de março, segundo fontes parlamentares

23-02-2021

O levantamento da imunidade de Carles Puigdemont e de dois outros eurodeputados independentistas catalães foi a votos, terça-feira, na Comissão dos Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu. O assunto será submetido à sessão plenária de março, segundo fontes parlamentares.

Puigdemont (que presidiu ao governo regional catalão entre 2016 e 2017), Toni Comín e Clara Ponsati (que foram membros desse executivo) são acusados em Espanha de sedição. O levantamenot da sua imunidade foi aprovado por 15 votos a favor, contra oito e duas abstenções na votação da Comissão, revelaram fontes citadas pela agência francesa AFP.

O caso será submetido à votação dos eurodeputados na sessão plenária do Parlamento Europeu, marcada para 8 a 11 de março. Em caso de levantamento da imunidade parlamentar, cabe às autoridades do país dos eurodeputados decidir se revogam ou não o seu mandato.

Carles Puigdemont, Toni Comín e Clara Ponsati foram eleitos nas eleições europeias em maio de 2019. O procedimento para o levantamento da imunidade foi lançado em janeiro de 2020.

Acusado de sediçãoe desvio de fundos públicos

O antigo presidente da Catalunha é alvo de mandado de prisão emitido por Espanha. Está acusado de sediçãoe desvio de fundos públicos” no âmbito da intentona separatista de outubro de 2017. Enquanto nove políticos catalães cumprem pena de prisão, Puigdemont e outros fugiram para o estrangeiro.

Puigdemont foi para a Bélgica para escapar à justiça espanhola, após o referendo ilegal sobre a autodeterminação da Catalunha realizado a 1 de outubro de 2017 e a declaração de independência no final do mesmo mês. Chegou a ser detido pelas autoridades alemãs quando regressava de uma viagem à Dinamarca, tendo depois sido reposto em liberdade.

Eurodeputado e deputado regional

Puigdemont foi também eleito deputado regional nas eleições catalãs do passado dia 14 de fevereiro. Encabeçava a lista do partido separatista Juntos pela Catalunha (JxC) na província de Barcelona.

Com 20% dos votos e 32 deputados (num total de 135), o partido foi o terceiro classificado, atrás dos socialistas (PSC, 23%) e da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, 21%), ambos com 33 assentos.

O JxC poderá ser crucial para formar um governo regional de maioria independentista. Somados com os da ERC e os da Candidatura de Unidade Pessoal (CUP, separatista anticapitalista), os seus deputados atingem a maioria absoluta.

Divisões entre independentistas

Nos últimos anos a ERC optou por uma posição mais dialogante com o Governo espanhol (de coligação entre socialistas e o Podemos, da esquerda radical), para cuja viabilização os republicanos contribuíram no Congresso dos Deputados. A ERC defende hoje um referendo de autodeterminação pactuado com Madrid.

Pelo contrário, o JxC de Puigdemont insiste na via unilateral para a secessão catalã. Isso pode dificultar a formação do próximo executivo catalão. Caso as negociações falhem, socialistas e Podemos (esquerda radical) aceitariam formar um governo catalão progressista com a ERC, sem os demais separatistas.