Chama-se Pablo desde que nasceu mas o 'cognome' Hasél foi escolhido por ele quando começou a gravar. Tem 33 anos, nasceu em Lérida, em criança frequentou um colégio de Jesuítas e o seleto clube de ténis local. Neto de um reputado advogado da cidade catalã onde nasceu e filho de um empresário ligado ao mundo futebol, há muito que é visto por alguns conterrâneos como um controverso "narcisista" que "gosta de aparecer". Por agora, a única certeza que temos é que o seu nome mobiliza apoiantes e detratores por toda a Espanha e, Barcelona, prepara-se para mais uma noite de protestos que podem ou não descambar em violentos distúrbios.
Hasél – nome que o rapper terá encontrado num livro de contos árabes (de acordo com a sua página na wikipedia) – foi acusado e condenado de incitação ao terrorismo e insultos à coroa espanhola, que apelidou de "fascista" como se lê no twitter abaixo.
Não fosse a descrença no futuro, a falta de perspetivas, o mal-estar acumulado e, talvez, a condenação de Pablo Hasél a nove meses de prisão não tivesse desencadeado uma onda de protestos em Barcelona, Madrid, Valência, Bilbao, e outras cidades espanholas, no meio de uma pandemia que não está totalmente controlada e já fez mais de 67 mil mortos desde março de 2020.
Barcelona, a cidade onde os protestos pacíficos descambaram na última noite em violentos distúrbios, prepara-se para a sexta noite de manifestações de apoio ao catalão Pablo Hasél e à liberdade de expressão.
O homem que foi registado e batizado como Pablo Rivadulla Duró nasceu em Lérida (uma cidade catalã a meio do caminho entre Madrid e Barcelona) e já era adulto quando se começou a apresentar como Pablo Hasél.
Este "rapper provocador com letras incendiarias converteu-se num símbolo da liberdade de expressão para uma parte da opinião pública espanhola", escreve o jornal "El Tiempo", lembrando que Hasél já recebeu o apoio do realizador Pedro Almodóvar, do ator Javier Bardem e do cantor Juan Manuel Serrat.
Senhor da "verdade absoluta"
Conta quem o conhece que Pablo Rivadulla tem “uma auto-estima muito grande, e está acima do bem e do mal [preferindo] sempre os que respeitam as suas ideias. Julga-se dono da verdade absoluta”, dizem os que conhecem num perfil publicado pelo diário catalão "La Vanguardia" da autoria do jornalista Javier Ricou, intitulado "Pablo Hasél, um agitador de boas famílias".
Curiosamente, acantonou-se na Universidade para evitar a prisão, mas nunca frequentou a mesma como estudante, por ter escolhido outra via de intervenção na sociedade e cultura espanhola.
De acordo com o "La Vanguardia", o pai de Hasél, Ignacio Rivadulla, "trabalhou durante vários anos como professor de matemática [no IES Gili y Gaya] antes de embarcar noutros negócios (alguns ligados à agricultura), e entrar na companhia de Tatxo Benet, numa aventura complicada na União Desportiva de Lérida" que conduziu ao desaparecimento do clube de futebol, conta o "La Vanguardia".
Em pequeno, Pablo, frequentou um colégio particular de Jesuítas, o Claver, e acompanhava a mãe, Paloma Duró - "filha de um reputado advogado de Lérida – ao seleto clube de ténis" da cidade onde viviam.
Tinha 22 anos quando foi detido pela primeira vez, lê-se no "Las Provincias": "A sua estreia no mundo da música aconteceu em 2005, ainda era menor de idade. Foi com 'Esto no es el paraíso', que saltou para o cenário underground do hip hop espanhol".
Na origem desta onda de contestação que está a atravessar a Espanha estão 64 tweets que Pablo escreveu entre 2014 e 2016 e pelos quais foi condenado. Pode ler alguns deles neste artigo do "Publico" espanhol.
Muitas das personalidades que dentro e fora de Espanha apoiam Hasél, fazem-no em nome do direito à liberdade de expressão. O diário espanhol "El Salto" lembra que entre "entre 2004 e 2020 foram condenadas 122 pessoas por incentivo ao terrorismo e seis por injúrias à coroa e às instituições do Estado" espanhol.
Mais de cem portugueses apoiam Hasél
Em Portugal, mais de cem artistas e outros profissionais da Cultura assinaram um manifesto e uma petição pública de apelo à libertação de Pablo Hasél, e a exigir que o Governo português "se distancie da condenação do artista", escreve a agência Lusa.
Este manifesto foi divulgado na sexta-feira por uma "plataforma que exige a libertação do rapper catalão Pablo Hasél". Entre os signatários estão "cidadãos das mais diversas áreas profissionais e de intervenção cívica", entre os quais a rapper Capicua, o ator André Gago, os artistas plásticos Vihls, Bordalo II e Miguel Januário, os músicos Sérgio Godinho, Manuel João Vieira, Mitó Mendes, Tó Trips, Vitorino e Lena d'Água, e o realizador João Rui Guerra da Mata.