Internacional

Estrela da rádio, génio da manipulação política, conservador radical e autodesignado “médico da democracia”: Rush Limbaugh 1951-2021

Mark Wilson/Getty Images

Deu-se a si mesmo o nome “médico da democracia” mas não via qualquer problema em chamar “prostituta” a quem defendia o uso da pílula como contraceção. Usou o seu imensamente popular programa de rádio nos EUA para apontar armas a “feministas nazis”, “comunistas liberais” e “ambientalistas malucos” mas nem os que o detestam negam a força da sua influência política - nem a sua capacidade em manter os ouvintes colados às palavras. Morreu esta quarta-feira, tinha 70 anos

17-02-2021

Morreu Rush Limbaugh, um dos mais incendiários apresentadores de rádios dos Estados Unidos, pioneiro das rádios políticas independentes e a maior influência dos vários radialistas amadores que, principalmente nos últimos cinco anos anos, se dedicaram à atividade de defender os ideais da ala mais conservadora do Partido Republicano através da rádio.

Não conseguiu vencer o cancro de pulmão que no início de fevereiro o levou para longe do éter mas a sua morte, aos 70 anos, foi anunciada pelo mesmo microfone que usou durante 32 para desfiar semanalmente com acidez os pecados democratas - foi assim que conquistou a fama. “Sei que não sou a Limbaugh que esperavam ouvir hoje. Eu, como vocês, preferia que fosse o Rush aqui atrás deste microfone dourado a dar a boas-vindas a toda a gente para mais uma edição de três fantásticas horas de programa. É com profunda tristeza que vos informo que o nosso querido Rush, o meu adorado marido, morreu esta manhã devido a complicações provocadas pelo cancro de pulmão de que sofria”, disse Katheryn Limbaugh, mulher do radialista.

Estrela da rádio e da desinformação

Cinco anos antes do diagnóstico, num dos vários exemplos de desinformação que tinha o poder de transmitir, disse no seu programa que os fumadores passivos não estão expostos a um risco acrescido de contrair problemas pulmonares - mas estão, um dado adquirido entre a comunidade científica já há muitos anos. “É verdade que toda a gente que fuma morre mas toda a gente que come cenouras também morre.”

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