Internacional

Itália. O dia em que o professor Giuseppe Conte joga tudo para chefiar um Governo de Salvação Nacional

Giuseppe Conte, primeiro-ministro italiano, durante o debate da moção de confiança ao seu Governo, no Senado
ALESSANDRA TARANTINO / AFP / Getty Images

Onze meses e 85.881 mortos depois de a covid-19 ser oficialmente confirmada em Itália, o país enfrenta uma crise política. O primeiro-ministro Giuseppe Conte reúne esta manhã o Conselho de Ministros para apresentar a demissão. Posteriormente encontra-se com o Presidente, esperando que este volte a indigitá-lo como chefe de um Executivo de salvação nacional. O país regista quase 2,5 milhões de contágios por coronavírus

26-01-2021

Onze meses depois de ser confirmado o primeiro caso de contágio comunitário por coronavírus em Codogno, na Lombardia, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, enfrenta uma nova crise e demite-se esta terça-feira, por falta de apoio do Senado.

Conte liderou uma coligação governativa entre o Movimento Cinco Estrelas (M5S, antissistema), o Partido Democrático (PD, centro-esquerda) e o Itália Viva (IV, centro-esquerda), mas este último abandonou o acordo na semana passada.

O demissionário chegou à chefia do Governo a 1 de junho de 2018, dia em que o Presidente Sergio Mattarella empossou o professor de Direito independente como estreante nas andanças governativas para liderar um Executivo de coligação entre o M5S e a Liga (ultradireita xenófoba).

Esse Governo caiu em setembro de 2019, por a Liga ter saído da aliança, pela mão do seu chefe e então ministro do Interior, Matteo Salvini. O M5S aliou-se então ao PD e reconduziu Conte. O IV nasceu de uma cisão do PD encabeçada pelo antigo primeiro-ministro Matteo Renzi.

Dois anos e meio depois de chegar ao cargo e após crise, Conte, 56 anos, convocou um Conselho de Ministros para as 9h00 (8h00 em Lisboa) e fez saber que no final desta reunião irá ao Palácio Quirinale [sede da Presidência da República] para se reunir com oMattarella e colocar o lugar à disposição.

O abandono de Renzi

Com esta atitude o homem que tem sólida carreira como jurista e professor de Direito espera que o chefe de Estado o indigite pela terceira vez para formar Governo. Tem esperanças de encontrar o necessário apoio para ultrapassar a crise política provocada pelo abandono de Renzi.

Conte já enfrentara uma moção de confiança da Liga – a 20 de agosto de 2019 – quando a Itália, a Europa e o resto do mundo ainda nem sequer sonhavam o pesadelo pandémico que iríamos viver a partir do final de 2019. Salvini tencionava forçar eleições antecipadas num momento em que as sondagens o favoreciam, mas o acordo M5S-PD gorou-lhe os planos.

Onze meses e 85.881 mortos e (quase) 2,5 milhões de contágios depois de Conte convocar um Conselho de Ministros extraordinário – no sábado, 22 de fevereiro de 2020 – para decretar o primeiro confinamento de onze localidades lombardas, o IV de Renzi deixou de apoiar o Governo por discordar do plano de Conte para a distribuição dos fundos da ‘bazuca’ europeia de ajudas ao combate à pandemia.

O diário italiano “Corriere della Sera” espera que Mattarella volte a nomear Conte para formar um Governo de ‘salvação nacional’ com base nos muitos apoios que o professor de Direito reúne no centro-direita.