A Câmara dos Comuns do Reino Unido acaba de aprovar o acordo comercial alcançado entre o Governo do primeiro-ministro Boris Jonhson e a Comissão Europeia no passado dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Segundo a BBC, o pacote de medidas foi aprovado com 521 votos a favor e 71 contra há poucos minutos, depois de uma manhã de debate parlamentar.
O acordo comercial pós-Brexit delineado entre Londres e Bruxelas é assim transporto para a legislação britânica. Esta "EU (Future Relationship) Bill" irá agora subir à Câmara dos Lordes para ser aprovada. Depois disso acontecer, a lei será enviada à Rainha Isabel II para que esta dê o seu consentimento, conhecido como o " Royal Assent".
Os deputados do Labour (Partido Trabalhista, da oposição) foram instruídos a votar a favor do projeto de lei, como confirmou a deputada Rachel Reeves no seu discurso final antes da votação. Como consequência da decisão, a também deputada trabalhista Tonia Antoniazzi anunciou no “Twitter” que se iria abster de votar, e apresentou a sua demissão.
Por outro lado, o Partido Conservador elogiou o acordo e a decisão parlamentar. “Podemos dizer que mantivemos a fé das pessoas [sobre o Brexit]”, congratulou-se o deputado e membro do Governo Michael Gove, quatro anos e meio depois do referendo que perguntou à população se o Reino Unido deveria sair da União Europeia. “Esta legislação recupera o controlo das nossas leis, fronteiras e espaço marítimo”, acrescentou. “A partir de agora deixam de existir pessoas que são “Remainers” [pela permanência] ou “Leavers” [pela saída da UE]. Agora somos todos britânicos dedicados a um futuro de partilha e solidariedade", concluiu Gove. A mesma opinião foi dada por John Baron, também conservador: "um momento definidor na nossa história".
Porém, nem todos os deputados do partido no poder submeteram votos positivos ao acordo alcançado com Bruxelas. Owen Peterson, por exemplo, mostrou-se "bastante satisfeito" com os compromissos comerciais estabelecidos entre as duas partes, mas avisou que será preciso "um Governo muito determinado" para garantir que esses compromissos ajudem a economia britânica, nomeadamente o sector das pescas. De qualquer das formas, Peterson anunciou que iria abster-se na votação, porque não seria capaz de votar a favor de medidas que "dividem" a Irlanda do Norte do Reino Unido.