Os deputados britânicos votam esta sexta-feira se apoiam o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) a 31 de janeiro.
O acordo do primeiro-ministro, Boris Johnson, para o Brexit foi alvo de uma nova emenda para incluir um elemento legislativo simbólico: o impedimento do Governo de alargar o pedido de transição para lá do final do próximo ano. Nesse período, o Reino Unido está fora da UE mas segue muitas das regras do bloco comunitário.
O projeto de lei da saída, que implementará o acordo para o Brexit que o primeiro-ministro alcançou com a UE em outubro, foi apresentado esta quinta-feira no discurso da rainha, que definiu as prioridades do Governo para o próximo ano. Os deputados terão a oportunidade de debater o acordo na Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento britânico, e de o votar nos seus princípios gerais.
Depois, o projeto de lei será objeto de um escrutínio mais aprofundado pelos deputados e pela Câmara dos Lordes, a câmara alta. Foram concedidos três dias adicionais (7, 8 e 9 de janeiro) para os deputados continuarem o seu debate nos Comuns.
“O próximo ano será um ótimo ano para o nosso país”
“Vamos cumprir a promessa que fizemos ao povo e ter a votação do Brexit pronta para o Natal”, disse Johnson. “Após anos de atraso e rancor no Parlamento, garantiremos segurança, e as empresas e pessoas trabalhadoras neste país terão uma base sólida para planear o futuro”, acrescentou.
Um acordo de saída anterior, alcançado entre a ex-primeira-ministra Theresa May e Bruxelas, foi rejeitado três vezes pelos deputados britânicos. No entanto, com a maioria confortável, de 80 assentos, conquistada pelos conservadores de Johnson nas eleições da semana passada, será mais fácil a aprovação do acordo atual.
“O próximo ano será um ótimo ano para o nosso país: o ano em que cumpriremos o Brexit, aumentaremos o financiamento do Serviço Nacional de Saúde, investiremos em infraestruturas e subiremos o nível de acesso a oportunidades e prosperidade na nossa grande nação”, prognosticou Johnson, citado pela BBC.
“Imprudente e irresponsável”, criticam os trabalhistas
O ministro-sombra para o Brexit, o trabalhista Keir Starmer, classificou a decisão de Johnson de limitar a duração do período de transição como “imprudente e irresponsável”, sublinhando que o primeiro-ministro está “preparado para colocar em risco o emprego das pessoas”.
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, declarou que Johnson “ressuscitou deliberadamente a ameaça de um não acordo” no final de 2020. “Compreendemos que as pessoas estão desesperadas por seguir em frente. Isso não significa que aceitaremos simplesmente a abordagem imprudente do primeiro-ministro sobre como isso é feito”, acrescentou.
O resultado da votação nos Comuns é esperado pelas 15h.