Economia

Seguro defende "austeridade inteligente"

António José Seguro reuniu-se hoje com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no âmbito da preparação do Conselho Europeu desta semana
Manuel de Almeida/Lusa

Secretário-geral do Partido Socialista voltou a defender uma revisão o memorando de entendimento com a troika. "Por que razão é que não temos mais um ano, no mínimo?", perguntou António José Seguro.

27-02-2012

O secretário-geral do PS defendeu hoje a aplicação de uma "austeridade inteligente" que evite a recessão e perguntou "por que razão não se mexe no memorando" dando mais tempo a Portugal para consolidar as suas contas públicas.

Questionado se, no seu entender, o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional aceitariam esse acréscimo de tempo, António José Seguro respondeu que insistiu recentemente junto da troika nesse sentido, invocando a alteração de "condições objetivas" aos níveis nacional e europeu.

"Eu pergunto: por que razão é que não se mexe no memorando? Por que razão é que não temos mais um ano, no mínimo? Caso contrário, nós podemos correr o risco de cumprir tudo o que está no memorando, mas de isso significar vida pior para os portugueses e mais dificuldade para as nossas empresas. É isso que neste momento está a acontecer", acrescentou.

António José Seguro fez estas declarações aos jornalistas em São Bento, no final de uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no âmbito da preparação do Conselho Europeu desta semana, na qual também participaram o líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho, e a presidente do PS, Maria de Belém.

Uma questão de prioridades

De acordo com o secretário-geral do PS, justifica-se que o memorando assinado com a troika seja alterado porque se alteraram as "condições objetivas" no plano interno, "havendo necessidade em 2012 de fazer uma redução de maior volume da despesa", e também no plano externo, "com o arrefecimento da economia na zona euro", para onde Portugal exporta "cerca de dois terços" dos seus produtos.

Se Portugal pudesse distribuir "a austeridade que é exigida" por um "período maior", isso traduzir-se-ia em "menos cortes, por exemplo, nos salários da função pública, no não aumento do IVA da restauração, no não corte de metade do subsídio de desemprego no ano de 2011, na não necessidade de aumentar a taxa do IVA sobre a fatura do gás e da eletricidade em outubro, novembro e dezembro de 2011", sustentou.

António José Seguro declarou-se a favor de "medidas de austeridade, mas na dose suficiente", ou seja, de "uma austeridade inteligente, que não tenha como efeito a recessão e a quebra da economia", e que seja acompanhada por "uma prioridade dada ao crescimento e ao emprego", que argumentou ser o único caminho para um país pagar as suas dívidas.

O secretário-geral do PS acusou o Governo PSD/CDS-PP e o primeiro-ministro de terem uma atitude contrária e de "obsessão pela austeridade", que "conduziu a situações como aquelas que neste momento a Grécia está a viver".

Na sua opinião, esta tem sido também a posição dominante na União Europeia.

"É, por isso, necessário que a União Europeia e o Governo português passem da prioridade da austeridade para a prioridade do emprego. Esta é uma divergência que mantemos com o Governo português e que reafirmámos hoje", disse.