Economia

Dia Mundial do Turismo. O sector que em Portugal recuou mais de 49% no PIB anseia pela recuperação

Horacio Villalobos/Getty Images

O sector conta atualmente com 272 mil trabalhadores diretos no país, e costumava ter 334 mil em 'ano normal'. As receitas turísticas até julho caíram 80,59% em 2021 face a 2019, segundo o Banco de Portugal

O sector que era a estrela da economia e registava a maior trajetória de crescimento é o que mais sofreu o abalo da pandemia de covid-19, e esta segunda-feira, em que se celebra o Dia Mundial do Turismo, a palavra chave é a recuperação.

A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) vai assinalar o dia com uma conferência dedicada ao tema "Retomar o Crescimento", que se realiza em Coimbra, no Convento de São Francisco, em Coimbra, no dia 27 de Setembro, Dia Mundial do turismo. O primeiro-ministro, António Costa, estará presente na sessão de abertura, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na de encerramento.

O tema da retoma é crítico, tendo em conta que entre 2019 e 2020 o turismo se ressentiu de uma quebra de 49,1% no seu contributo para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Se em 2019 o peso do turismo no PIB era de 10,4%, em 2020 caíu para 5,5%, e segundo a Confederação do Turismo de Portugal " espera-se que o contributo para o PIB este ano não seja melhor que em 2020, com as receitas turísticas a ter o comportamento que é indicado pelo Banco de Portugal".

E segundo o Banco de Portugal, no saldo da balança turística destacou-se uma queda de receita do sector de 28,58% no acumulado de janeiro a julho de 2021, em comparação com o período homólogo do ano passado. Recorde-se que os primeiros dois meses de 2020, até o país se ressentir com a pandemia, ainda foram de crescimento para o turismo, ao contrário do que se verificou em 2021, cujo início de ano foi marcado por um confinamento apertado, seguido de um período longo de sérias restrições à circulação.

No acumulado dos primeiros sete meses, a quebra das receitas turísticas em 2021, comparativamente a 2019 ascendeu a 80,59%, de acordo com o Banco de Portugal.

Os resultados do verão foram melhor do que se esperava, mas representou um período curto de recuperação e de crescimento, face a um primeiro semestre muito parado para o turismo devido às restrições impostas com a covid, que inclusivamente afetaram a Páscoa, que marca o arranque da época alta.

Em julho, já houve lugar a crescimento, muito marcado pelo mercado interno. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os alojamentos em Portugal receberam 1,6 milhões de hóspedes e 4,5 milhões de dormidas, representando aumentos de 59,6% e de 71,9%, respetivamente.

Mas a falta de turismo externo foi notória, e em comparação com 2019, os volume de hóspedes nos hotéis caíu 42,5% em julho deste ano, com as dormidas a registar uma baixa de 45%. O verão acabou por ser 'salvo' pelo crescimento dos próprios turistas portugueses, mas longe de atingir um ano normal, e com os hotéis a debaterem-se com uma série de restrições sanitárias, o que incluiu a realização de testes de covid aos clientes nas suas receções.

Portugal perdeu 160,3 mil empregos, diretos e indiretos, no turismo e viagens

O emprego é um dos principais indicadores para avaliar o estado do turismo, e o impacto da pandemia neste campo é notório, segundo enfatiza a CTP. O sector de turismo e viagens contava em Portugal em 2019 com 334 mil postos de trabalho diretos, o que significa que 1 em cada 10 empregos eram gerados pelo sector.

Em 2020, o país perdeu 61,6 mil trabalhadores no turismo, numa quebra cifrada em 18,5%. Os postos de trabalho no sector baixaram no ano passado para 272 mil, o equivalente a 1 em cada 11 empregos. Recorde-se que, em anos anteriores, o turismo era o sector mais promissor ao nível da criação de emprego, e no período entre 2014 e 2019 foi responsável por 1 em cada 4 novos empregos a nível nacional.

Fazendo as contas à contribuição total, incluindo emprego direto e indireto, o sector de turismo e viagens assegurava em Portugal 1.003,7 mil postos de trabalho, o equivalente a 20,7% do emprego total, cerca de 1/5.

Em 2020, os postos de trabalho diretos e indiretos do turismo e viagens no país caíram para 843,3 mil, o equivalente a 17,7% do emprego total. Significa que entre 2019 e 2020, Portugal perdeu ao todo 160,3 mil postos de trabalho no turismo, o equivalente a uma quebra de 16%.

Confederação frisa que para a retoma do turismo serão necessários mais apoios em 2022

Com o início da discussão sobre o Orçamento do Estado para 2022, a Confederação do Turismo de Portugal vem alertar que a retoma da atividade turística depende "além de apoios públicos, de uma redução significativa dos custos de contexto suportados pelas empresas, nomeadamente compensações para fazer face aos atuais aumentos de preço da energia elétrica e dos combustíveis, assim como a diminuição da carga fiscal".

Segundo frisa Francisco Calheiros, presidente da CTP, "os custos de contexto estão a afetar de forma exponencial a competitividade do sector do turismo, numa altura em que esta atividade económica fundamental para a geração de riqueza e emprego necessita de se refortalecer para recuperar destes quase dois anos de pandemia".