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Economia

Imobiliário. Procura de segunda habitação cresce em todo o país

São Pedro do Sul, Penamacor e Gerês são localizações “procuradas por nómadas digitais”, sobretudo ingleses, e alguns já pagam €1 milhão por uma segunda casa no interior
D.R.

Tendência. A atração pela natureza e pelo isolamento está a impulsionar novos mercados no setor imobiliário.

17-07-2021

A análise do BPI ao sector imobiliário reconhece que a presença de cidadãos não-residentes foi afetada pelas restrições à mobilidade, mas este movimento será “temporário” e a sua presença deverá aumentar à medida que nos aproximarmos da imunidade de grupo. E nos primeiros cinco meses do ano foi já captado um terço de todo o investimento feito em 2020, ao abrigo do programa de vistos gold. Cerca de €200 milhões em resultado de uma “corrida” àquilo que se julgava ser o fim do programa, explica Miguel Ferreira, diretor de desenvolvimento da consultora CBRE. O responsável sublinha que este investimento “terá tendência a aumentar até final do ano”, mas estas são propriedades para “rendimento”. Já no mercado de segundas habitações “para usar” os números apontam para um crescimento sustentado do sector, afirma Patrícia Clímaco, presidente executiva da consultora Castelhana. Um mercado em alta, como demonstra a venda de dois empreendimentos no litoral alentejano. Comporta e Brejos do Meio, em Grândola, viram uma centena de casas “vendida” em menos de seis meses, “maioritariamente” a clientes nacionais, diz a especialista. E é na linha de costa, entre Braga e Aveiro e Caldas da Rainha e Melides, que se concentram “maioritariamente” as vendas de segunda habitação. A clientes disponíveis para pagar “até €500 mil”, destaca a gestora da Castelhana.

E a crença é de que, quando terminarem as restrições nos voos, este mercado possa crescer “ainda mais”. A ajudar o mercado das segundas habitações está a “marca Comporta”, que tem atraído cada vez mais compradores, disponíveis para adquirirem uma segunda casa, “pronta a habitar, com capitais próprios ou recurso a crédito bancário em Portugal ou mesmo nos países de origem”, adianta Patrícia Clímaco.